Projeto vai mapear DNA de 15 mil brasileiros para pesquisas

  • Por Jovem Pan
  • 11/12/2019 07h21 - Atualizado em 11/12/2019 07h27
Wikimedia CommonsA ideia é que, no futuro, a iniciativa contribua com a prevenção e tratamento de doenças

Uma iniciativa inovadora quer desvendar a diversidade dos brasileiros. O projeto DNA do Brasil, lançado nesta terça-feira (10), vai mapear o código genético de 15 mil pessoas.

Liderado pela cientista Lygia Pereira, do Instituto de Biociência da Universidade de São Paulo (USP), o projeto promete colocar o país no mapa global dos estudos genômicos. Os brasileiros que terão o DNA analisado já fazem parte de outro projeto, o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELZA), que tem como objetivo investigar, ao longo de 20 anos, os fatores provenientes de doenças crônicas.

A ideia é que, no futuro, a iniciativa contribua com a prevenção e tratamento de doenças de forma mais precisa. Segundo os pesquisadores, também será possível investigar como pequenas alterações genéticas são capazes de influenciar o surgimento de doenças como, por exemplo, o diabetes.

De acordo com a cientista Lygia Pereira, a miscigenação brasileira é um fator importante para desenvolver um projeto como esse no país. Ela afirma que nenhum outro lugar do mundo tem um DNA tão misturado, com componentes europeus, africanos e indígenas.

“Mas o problema é que 80% dessa informação vem de populações caucasianas. Aí quando você não encontra uma variação que está no seu paciente nesses bancos de dados, você diz ‘putz, se não está lá, pode ser algo que causa doença’. Mas e se isso for uma variação que é comum nos índios brasileiros, ou se for comum nos africanos que vieram para cá? Muda completamente a forma de interpretar esse teste”, explica.

Para utilizar os dados, os pesquisadores deverão submeter as respostas de pesquisa à avaliação prévia dos responsáveis pelo projeto. A expectativa é que os primeiros 3 mil genomas sejam sequenciados ainda no primeiro trimestre de 2020. Até hoje, cerca de 1 milhão de pessoas já tiveram o DNA mapeado em países como os Estados Unidos, China e Coréia do Sul.

*Com informações da repórter Letícia Santini 

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