Proposta da UE de Irlanda do Norte permanecer no bloco pós-Brexit irrita Londres

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 01/03/2018 09h54
EFEO bloco propôs a criação de uma zona especial após o Brexit em que a Irlanda do Norte permaneceria de fato dentro do bloco

A União Europeia apresentou nesta quarta-feira (28) um primeiro rascunho do acordo de desfiliação da Grã-Bretanha do bloco. E o texto não poderia ter causado reações mais negativas em Londres.

O ponto principal da discórdia está relacionado à Irlanda do Norte. O país que pertence ao Reino Unido fica na ilha vizinha da Irlanda e foi palco de décadas de confrontos sangrentos em um conflito sectário que só terminou em 1998 com a assinatura do Acordo de Belfast, também conhecido como Acordo da Sexta-feira Santa.

Entre os termos deste entendimento histórico que trouxe paz para a região está a fronteira aberta entre Irlanda e Irlanda do Norte, sem barreiras físicas ou controles policiais, o que se torna praticamente inviável com a saída do Reino Unido da União Europeia.

Por isso, o bloco propôs a criação de uma zona especial após o Brexit em que a Irlanda do Norte permaneceria de fato dentro do bloco.

A sugestão foi considerada quase que uma ofensa por Londres. A primeira-ministra Theresa May disse no parlamento que nenhum governante britânico em sã consciência poderia aceitar isso, já que na prática a medida criaria uma espécie de nova fronteira na Grã-Bretanha e ameaçaria a integridade constitucional do país.

As palavras duras de May também foram sugestionadas pelo fato de que ela só está no poder hoje porque conseguiu formar uma coalizão com o nanico partido unionista da Irlanda do Norte. Logo, vejam que não importa o país, normalmente o líder está refém de alguma coligação partidária bizonha.

O fato é que todo esse imbróglio demonstra como as negociações do Brexit ainda estão num estágio inicial faltando exatamente um ano para o divórcio ser consumado.

Os trabalhistas britânicos agora defendem que o país continue numa união fiscal com os europeus, algo que na prática seria mais ou menos como continuar filiado ao bloco. Theresa May também rejeita a proposta. Só que ninguém sabe ao certo como ela vai conseguir levar essa desfiliação adiante sem trazer um caos jurídico e econômico para o país.