Provas da JBS sobre propina a políticos e partidos somam mais de R$ 1 bilhão

  • Por Jovem Pan
  • 31/07/2017 06h28 - Atualizado em 31/07/2017 11h08
BRA111. LAPA (BRASIL), 21/03/2017 - Vista general de la compañía del grupo cárnico JBS Seara en la ciudad de Lapa, estado de Paraná, Brasil, la cual fue inspeccionada por el ministerio de Agricultura de Brasil, Blairo Maggi, hoy martes 21 de marzo de 2017. Según la policía, varias de las principales cárnicas del país, entre ellas JBS y BRF, con la complicidad de fiscales sanitarios corruptos, "maquillaron" con productos químicos carnes que estaban en mal estado y no cumplían con los requisitos para la exportación.EFE/Joédson AlvesTudo faz parte do material que a JBS entregará à PGR como parte do acordo de delação

As provas da JBS sobre o pagamento de propina a políticos somam mais de R$ 1 bilhão e darão munição concreta à Procuradoria-Geral da República seguir com as investigações sobre diversos políticos. Dentre eles, o presidente Michel Temer.

Os documentos publicados pela revista “Época”, no fim de semana que antecede a volta do recesso em Brasília, mostram como a empresa organizava as planilhas com a contabilidade. Tudo faz parte do material que a JBS entregará à PGR como parte do acordo de delação.

A reportagem dividiu os pagamentos por núcleos: o de Michel Temer teria recebido R$ 21,7 milhões. Dinheiro distribuído para aliados políticos e amigos em campanhas eleitorais ou fora delas. Desse valor, R$ 1 milhão foi repassado em dinheiro vivo ao coronel João Batista Lima, amigo de Temer, a pedido do então vice-presidente.

Como já disse, inclusive, o lobista Ricardo Saud, da JBS, em delação: “o Temer me deu um papelzinho e disse ‘ó Ricardo, tem um milhão que quero que você entregue em dinheiro neste endereço aqui’”.

A reportagem mostra uma nota fiscal, emitida pela empresa do publicitário Elsinho Mouco, que registra serviços de planejamento estratégico de comunicação.

Essa nota seria fria e teria sido usada para justificar a entrega de R$ 1 milhão para Michel Temer, segundo delatores. Elsinho é até hoje o publicitário de Temer.

Fora isso, cinco ministros do Governo receberam quase R$ 50 milhões.

Para outro núcleo, o do Centrão, foram R$ 138 milhões, sempre usados nas campanhas eleitorais de 2010 e 2014 para comprar partidos, que hoje defendem Temer no Congresso.

Para o PMDB do Senado, mais R$ 29 milhões, divididos por cinco senadores da cúpula do partido. Um deles seria o atual presidente do Senado, Eunicio Oliveira.

Para o PMDB da Câmara, outros R$ 55 milhões. R$ 50 milhões só para Eduardo Cunha.

As cifras continuam impressionando quando a revista menciona o PT.

Neste núcleo foram repassados US$ 151 milhões de dólares no exterior e R$ 111 milhões no Brasil – dinheiro de propina paga em troca de financiamentos à empresa, obtidos no BNDES. O montante foi usado na campanha à reeleição de Dilma em 2014.

A revista também revela repasses feitos a pedido do ex-ministro petista Antonio Palocci.

Para o PSDB, foram repassados R$ 42 milhões, nas campanhas de 2010 e 2014. Os senadores José Serra e Aécio Neves, além do secretário municipal de SP, Julio Semeghini, estão entre os principais beneficiados.

Agora, foi notada uma diferença importante na rotina de pagamentos da Odebrecht e da JBS: poucos funcionários de Joesley e Wesley Batista centralizam o controle e os repasses. Não havia um departamento, como na construtora. E todos fizeram acordos de delação.

A reportagem cita Florisvaldo de Oliveira, que teria levado pessoalmente R$ 1 milhão em notas de R$ 50 a coronel Lima, o faz-tudo de Temer. Além de Demilton de Castro, encarregado das planilhas, como já admitiu aos procuradores.

O material que será entregue à Procuradoria-Geral da República nas próximas semanas para complementar as delações da JBS tem potencial explosivo às vésperas de a Câmara dos Deputados analisar uma denúncia contra Michel Temer.

As defesas dos envolvidos na reportagem da revista negam qualquer envolvimento.

*Informações da repórter Carolina Ercolin