PSL suspende cinco deputados bolsonaristas e amplia poder de ala pró-Bivar

  • Por Jovem Pan
  • 19/10/2019 09h53
ESTADÃO CONTEÚDOLuciano Bivar é o presidente do PSL

O PSL decidiu suspender cinco parlamentares das atividades partidárias. A partir de agora, os deputados Alê Silva, Bibo Nunes, Carlos Jordy, Carla Zambelli e Filipe Barros não podem se manifestar em nome do partido no plenário e nem mesmo representar a legenda em comissões da Câmara.

Os suspensos assinaram a lista para tornar o deputado Eduardo Bolsonaro novo líder da bancada. A deputada Carla Zambelli questionou a decisão tomada pela executiva nacional do partido. “Querem me cassar? Porque o que eles estão afirmando é que o meu voto não valeria mais. Está suspensa a minha atividade parlamentar. Ou seja, eles estão querendo me cassar, mas com a decisão monocrática de Rodrigo Maia, não existe isso. E, se existe, é incoerente com o discurso”, disse à imprensa.

A suspensão foi decidida em uma reunião da executiva nacional do PSL realizada em Brasília nesta sexta-feira (18).

Os presentes elegeram 52 novos nomes que poderão eleger quem comandará a legenda a partir de novembro. Destes, 34 faziam parte de uma chapa única, ligada ao atual presidente da sigla, Luciano Bivar.

Após o encontro, o líder do partido no Senado, Major Olímpio, afirmou que a ideia é acalmar o clima entre os parlamentares. “Não é uma reposta para brigas, estamos tentando serenar os ânimos. Vejo hoje que é necessário um gesto do presidente Bolsonaro em busca do presidente do partido.”

Segundo o líder do PSL na Câmara, deputado delegado Waldir, os parlamentares ainda terão oportunidade de se justificar, caso queiram retomar as funções partidárias. De qualquer forma, de acordo com ele, “existe vasto material probatório” de ataques dos deputados suspensos ao partido e ao presidente da sigla, Luciano Bivar.

O deputado reclamou que, mesmo sendo líder do partido do presidente da república na Câmara, não é chamado ao Planalto para discutir pautas do governo, e afirmou que as tentativas de interferência tornam difícil a permanência dele no cargo.

“É muito difícil um líder como eu permanecer considerando que o presidente usa o Palácio do Planalto pessoalmente, ligando para parlamentares, interferindo no Parlamento.”

A convenção do PSL acabou com uma vitória do grupo ligado ao atual presidente do partido. Com os cargos ocupados por aliados e com a suspensão dos direitos partidários dos adversários, Luciano Bivar ganha força.

Tanto é que, na semana que vem, deputados de São Paulo e do Rio de Janeiro devem formalizar um pedido para mudança no comando dos diretórios desses estados, que hoje estão a cardo de Eduardo e Flavio Bolsonaro.

*Com informações do repórter Antonio Maldonado