Quase 6 milhões de trabalhadores do setor de eventos estão parados, diz associação

Segundo a Abrafesta, 57% dos negócios do segmento de eventos paralisaram os trabalhos

  • Por Jovem Pan
  • 24/09/2020 07h08 - Atualizado em 24/09/2020 07h41
Antes das restrições o setor movimentava anualmente R$ 250 bilhões em reuniões corporativas e R$ 17 bilhões em encontros sociais

Antes da pandemia, da Covid-19, a loja de trajes para casamento do empresário Douglas Moreira chegava a alugar de 100 a 300 peças por semana, mas já são seis meses de negócio parado. Ele relata que a principal dificuldade é o fato dos clientes não poderem provar as roupas. “Você locaria um traje sendo que não tem uma data estabelecida e nem provar o seu vestido de noiva, que é um dos sonhos da mulher, sem ter certeza que esse traje é o que você quer casar de fato?”, questiona o empresário. Com a flexibilização das atividades econômicas, o governo do Estado de São Paulo anunciou o retorno do setor de eventos , em duas etapas: a primeira aconteceu em 27 de julho, para atrações com o público sentado. Já os eventos  de grande porte, em que o público também fica em pé, vai ser liberado a partir de 12 de outubro, mas somente em municípios que estiverem há pelo menos quatro semanas na Fase Amarela do Plano São Paulo. Em ambos os casos,  as restrições e medidas de higiene deverão ser respeitadas.

Segundo a Associação Brasileira de Eventos (Abrafesta), antes das restrições o setor movimentava anualmente R$ 250 bilhões em reuniões corporativas e R$ 17 bilhões em encontros sociais. De acordo com o presidente da Abrafesta, Ricardo Dias, quase seis milhões de trabalhadores estão parados. “Muitas demissões, muitas das empresas vão fechar. A gente imagina que 50% [das companhias] não passa para frente, 50% vai cair. É muito doloroso”, afirma. Ainda segundo dados da associação, apenas 3% dos negócios do setor estão operando online, 40% estão retomando gradativamente as atividades, mas mudaram o funcionamento do próprio negócio e 57% dos negócios do segmento de eventos paralisaram os trabalhos.

Cristofer Mickenhagen, também é empresário do ramo de aluguel de trajes sociais, faz parte do grupo que decidiu se reinventar na pandemia. Ele conta que para driblar os efeitos da crise econômica, decidiu alugar um imóvel menor e mais barato. Além disso, o empresário decidiu trabalhar apenas com trajes voltados para o público masculino, e as vendas estão sendo adaptadas para o ambiente virtual. “Através desse novo canal de atendimento o cliente vai poder escolher o produto no catálogo de serviço, navegar pelo site, tirar dúvidas a respeito do produto, colocar suas medidas, agendar um horário de atendimento também. Então faremos uma pré-venda pelo site”, dia. Nesta quinta-feira, 24, a prefeitura de São Paulo assina os protocolos para a volta de cinemas, eventos e casas de espetáculo. As diretrizes passam a valer quando a cidade estiver na fase verde do plano de flexibilização da quarentena.

*Com informações da repórter Caterina Achutti