Reitora da Unifesp rebate ministro: “não faço palanque, meu partido é o da saúde”

  • Por Jovem Pan
  • 31/08/2017 09h41
"Como reitora entendo que devo defender a universidade e nosso hospital universitário", disse Smaili

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, desafiou nesta semana a reitora da Unifesp, Soraya Smaili, responsável pelo Hospital São Paulo, a aceitar uma consultoria de gestão do SUS, e dizer que ela estava fazendo “palanque” ao criticar a falta de repasses do Rehuf.

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, Smaili esclareceu que a gestão do hospital é separada da universidade e que há dificuldades para se fechar as contas.

Ela também rebateu a acusação do ministro e disse que não é candidata a nada: “o que eu tenho a dizer ao ministro é que não sou candidata a nada. Fui eleita, estou no segundo mandato, com quase 70% dos votos. Sou nomeada pelo presidente da República. Sou professora concursada, livre docente. Não estou fazendo palanque. Meu partido é o da saúde. E como reitora entendo que devo defender a universidade e nosso hospital universitário”.

A reitora ainda pediu que o ministro pensasse na instituição e em seu devido funcionamento para atendimento a pacientes. “Queremos continuar funcionando, não queremos parar. Somos 97% de atendimento ao SUS. Quase não há atendimento privado, medicina suplementar. Queremos dar serviço de qualidade com professores altamente qualificados, com técnicos, residentes. Nós formamos pessoas para o país inteiro há mais de 80 anos. Gostaria que ele desse o tratamento não à pessoa, mas à instituição”, explicou.

O ministro ainda criticou a gestão da reitora: “o Rehuf representa 1% do faturamento do Hospital. É insignificante, ela está fazendo campanha em cima de assunto que não é relevante. O que ela precisa é melhorar gestão e eficiência. Estou desafiando o Hospital São Paulo a aceitar uma consultoria de gestão, de qualquer hospital de excelência para mostrar como dá para investir melhor o dinheiro que eles têm”.

Ao rebater, Smaili afirmou que esta fala não resolve o problema é que já há parecer favorável do Ministério Público Federal para que os repasses sejam feitos. “Para mostrar o desejo de resolver impasse, estamos em conversa com Advocacia-Geral da União. Apresentamos proposta de conciliação e esperamos que o Ministério da Saúde receba e aceite. Com relação aos dados, estamos abertos às nossas contas são aprovados pela CGU, TCU. Nossos relatórios de gestão têm sido aprovados todos os anos”, rebateu.

Confira a entrevista completa: