Reta decisiva: May enfrentará segunda votação de acordo do Brexit nesta terça (12)

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 11/03/2019 10h36
EFEÉ provável que o mesmo resultado se repita e, em sendo assim, May não tenha mais condições de permanecer no cargo

A reta decisiva do Brexit começa nesta segunda-feira (11) e as perspectivas para os britânicos depois de quase três anos de negociações não são nada animadoras.

Se tudo der errado, quando a sexta-feira (15) chegar, o país provavelmente estará à procura de um novo primeiro-ministro. E se tudo der certo, o que é tão provável quanto alguém morrer de insolação na Trafalgar Square, ainda assim a separação europeia será uma incógnita para o Reino Unido.

Theresa May vai enfrentar a segunda votação do seu acordo com a União Europeia nesta terça (12) na Câmara dos Comuns.

A verdade é que nada mudou em relação ao primeiro texto que foi massacrado em janeiro passado. Logo, é provável que o mesmo resultado se repita e, em sendo assim, May não tenha mais condições de permanecer no cargo. Ela de fato só não caiu até agora porque não há ninguém melhor para colocar no lugar – o que dá uma dimensão do buraco em que a Grã Bretanha se afundou.

O cenário mais provável de ocorrer é um pedido de extensão para o divórcio, marcado para o dia 29 deste mês. Os britânicos devem pedir mais três meses para negociar. A Europa está disposta a aceitar a prorrogação – mas haverá um preço a ser pago e ele não é apenas político.

Os dois lados já concordaram que para deixar o bloco a Grã Bretanha terá que pagar uma espécie de indenização na casa dos 39 bilhões de libras, cerca de 200 bilhões de reais, ou mais ou menos o déficit da Previdência Social brasileira no ano passado, pra colocar as cifras em perspectiva.

Se quiser ficar mais tempo na União Europeia, mesmo que seja por um prazo curto, essa conta será revista. Os cálculos apontam para mais 13,5 bilhões por ano.

Acontece que também existe o lado político a ser pago. Emmanuel Macron, presidente da França, afirma que só aceitaria uma extensão do prazo de desfiliação se os britânicos aparecerem com uma nova escolha. Entenda-se, uma relação muito próxima após o divórcio, provavelmente com os britânicos se mantendo na união aduaneira europeia.

O problema para o Reino Unido é que a posição do país está ficando mais fragilizada a cada dia que passa. Porque mudar a data de desfiliação agora dependerá da aprovação de todos os outros 27 estados integrantes do bloco. O voto da Romênia pesa tanto quanto o da Alemanha. Todos têm poder de veto.

E ninguém parece muito simpático à causa britânica.