Após reclamações, RJ começa tratamento da água com carvão ativado

  • Por Jovem Pan
  • 13/01/2020 08h42
Divulgação/Governo FederalRio de Janeiro enfrenta problemas na qualidade da água

A Companhia de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) começa nesta semana a aplicar carvão ativado pulverizado no tratamento da água. A medida foi tomada após moradores de ao menos onze bairros reclamarem de cheiro, coloração e gosto estranhos ao beberem água.

Após testes realizados na última terça-feira, a Cedae afirmou que detectou a presença de geosmina na água, fenômeno que acontece quando há grande aumento de algas nos mananciais. No entanto, essa “substância não oferece riscos à saúde, explicou a Cedae, apesar de alterar o gosto e o cheiro da água.

A Cedae destacou que a água fornecida está dentro dos parâmetros exigidos pelo Ministério da Saúde e foi liberada para consumo pela Vigilância Sanitária.

A companhia relembra que casos semelhantes já aconteceram em São Paulo, na Paraíba, no Rio Grande do Sul e até no Rio de Janeiro há dezoito anos. Mesmo assim, reitera que o novo tratamento será aplicado para reter a geosmina, caso o fenômeno volte a acontecer.

Presidente da Sociedade de Infectologia do Rio, Tânia Vergara explica como o carvão vai ajudar no processo de limpeza.

“Esse produto e a água entram então na tubulação, para trazer de volta as qualidades de insípida inodora e incolor, como todos esperamos, pronta para o consumo.”

Apesar da distribuidora frisar que a presença da enzima não prejudica a saúde, moradores do Rio relataram mal-estar, náuseas, vômitos e diarreia após beber a água. Dados da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro mostram que o número de casos de pessoas com esses sintomas dobrou neste ano. Entre 20 de dezembro de 2019 e 5 de janeiro de 2020, foram 1.371 ocorrências. Em 2018, apenas 660 casos foram registrados. 

A situação tem causado receio na população, que tem saído para comprar água mineral nos supermercados. Alguns moradores já relatam dificuldades para encontrar água engarrafada nos estabelecimentos.

No Twitter, uma delas disse ter ido até três supermercados e não encontrado água mineral. Outra mulher disse que a empresa onde trabalha está disponibilizando água industrializada para os funcionários.

O Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio (UFRJ) recomenda que a água mineral só seja comprada quando a água da torneira estiver transparente, mas com forte odor de terra; com qualquer turbidez; coloração alterada ou cheiro atípico, como de enxofre e produtos químicos. Caso a água apresente leve cheiro de terra ou cloro, pode ser utilizada normalmente.

* Com informações da repórter Beatriz Manfrandini.