RJ: Crise da Cedae entra na mira de deputados na Alerj

  • Por Jovem Pan
  • 06/02/2020 07h18
FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO Deputados querem a instauração de uma CPI para investigar a crise da água no Rio de Janeiro

Deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro tentam vencer obstáculos políticos dentro da Casa para abertura de uma CPI contra a Cedae, a companhia de água e esgoto que está no olho do furacão desde o início do ano.

No Rio, moradores enfrentam uma verdadeira crise no fornecimento e no abastecimento de água no Estado. Primeiro, a água saía das torneiras de casas e estabelecimentos comerciais com cheiro e gosto de barro. Esta semana, para agravar a crise, detergente na água.

Comportas do sistema Guandu, estação de tratamento em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, precisaram ser fechadas por medida de precaução. Foram reabertas nesta terça-feira, mas muitos bairros do Rio e do Grande Rio ficaram sem água. A Cedae promete que até esta quinta-feira, o abastecimento vai estar normalizado.

O problema é que o deputado André Siciliano (PT), presidente da Casa, é muito próximo do governador Wilson Witzel (PSC), que anda evitando falar sobre o assunto, e também de parlamentares que formam a bancada governista da Alerj.

Para o deputado estadual Luiz Paulo Correia da Rocha (PSDB), já há elementos suficientemente necessários para se abrir uma CPI da Cedae na casa. “A região metropolitana do Rio, isto é, nove milhões de pessoas, sofrem há 30 dias uma crise de qualidade da água sem precedentes, fruto da falta de investimentos e da incompetência de gestão da Cedae”.

Além de Luiz Paulo Correia da Rocha, outro pedido de instalação da CPI foi feito pelo também deputado estadual Chicão Bulhões (Novo), que fala das resistências políticas dentro do parlamento fluminense, para a abertura da comissão parlamentar de inquérito.

“É muito importante que tenha uma CPI, diferente do que afirmou o presidente da casa, que a CPI não dá em nada. Não dá em nada se não for bem feito.”

Os deputados da Alerj querem ouvir o presidente da Cedae, Hélio Cabral, que já teria se pré-disposto voluntariamente a comparecer nos próximos dias a Casa. A Agenersa multou a Cedae por conta da crise. A primeira autuação foi de R$ 100 mil.