Salles: Investidores entendem necessidade de desenvolvimento econômico na Amazônia

O ministro critica que prevalece o lobby e o interesse das ONGs em voltar a receber dinheiro público

  • Por Jovem Pan
  • 10/07/2020 09h58 - Atualizado em 10/07/2020 10h02
Tiago Queiroz/Estadão ConteúdoRicardo Salles ressaltou que o Brasil está tentando reduzir o desmatamento

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que os investidores estrangeiros que divulgaram uma carta ameaçando deixar o Brasil internalizaram preocupações importantes em relação à Amazônia na reunião com o vice-presidente Hamilton Mourão que aconteceu na última quinta-feira (9). Em entrevista ao Jornal da Manhã, Salles afirmou que, entretanto, eles entenderam a necessidade do desenvolvimento econômico sustentável na região. “O Brasil quer e está fazendo esforço no combate ao desmatamento ilegal, mas é importante desenvolver economicamente também.”

Nessa discussão, ele critica que prevalece o lobby e o interesse das ONGs em voltar a receber dinheiro público e estrangeiro. “Quando o governo fechou a torneira, a gritaria aumentou. Há uma campanha forte feita por eles contra o governo e a lógica nacional que adotamos. Ficou claro para nós que eles entendem a necessidade de desenvolvimento econômico para que existam renda e trabalhos adequados — em vez de pesquisas que nunca terminam, viagens e seminários. Muitas dessas críticas já eram feitas lá atrás, mas elas reverberam mais porque temos jornalistas e ONGs que falam mal do Brasil.”

O chefe da pasta do Meio Ambiente ressaltou que o Brasil está tentando reduzir o desmatamento e que não dá para falar que a prática aumentou no governo de Jair Bolsonaro porque a alta acontece desde 2012. Ele destacou que, com a falta de desenvolvimento econômico na Amazônia, faltam empregos e que “se as pessoas não tem trabalho, elas são captadas para atividades ilegais”. “É correta a velha frase que diz que ‘ a floresta em pé tem que valer mais do que a floresta derrubada’, mas isso tem que chegar no bolso das pessoas. Se a pessoa não tem alternativa, ela vai para o emprego informal. Por isso o nosso interesse de olhar para lá com olhar econômico. Ajudaria se as academias, ONGs e a imprensa ajudassem na solução do problema e parassem de falar mal do Brasil no exterior.”

Questionado se faria algo de diferente em sua gestão, Ricardo Salles disse que não. “Somos um governo técnico escolhido por Bolsonaro para cumprir aquilo que ele prometeu. É difícil mexer com instituições, privilégios, boquinhas, discurso politicamente correto. Causa barulho. O pessoal que estava preocupado em se lambuzar nesses espaços fica inconformada, mas temos uma coesão governamental muito grande. Não dá para desafiar quem foi escolhido nas urnas por inconformismo político e ideológico.”