Saúde das famílias preocupa médicos que atuam no combate à Covid-19

  • Por Jovem Pan
  • 18/05/2020 07h25 - Atualizado em 18/05/2020 08h04
EFE/Nathalia Aguilarerca de 4.782 pessoas morreram já morreram por causa do coronavírus, sendo pelo menos seis crianças

Basta o celular tocar para o Dr. Jaques ficar em alerta. “Toca o meu telefone eu já tenha uma preocupação, será que mais alguém ficou doente, será que mais um médico será afastado? Era uma preocupação que eu não tinha antes em outras epidemias.”

Chefe da UTI do Instituto Emílio Ribas, referência no atendimento de doenças infecciosas em São Paulo, o médico Jaques Sztajnbok cuida apenas de pacientes com Covid-19 desde o final de abril.

A situação, e preocupação, se repete em Manaus. A médica do SAMU Alessandra Said se vê entre a cruz e a espada todos os dias. “Escolher entubar um paciente mais jovem porque ele vai ter mais tempo de vida, escolher entre um paciente e outro, seja lá qual for, é complicado, é difícil. É angustiante jogar nas costas dos médicos quem vive e quem morre.”

Além da tensão, os dois compartilham o receio com a saúde das famílias. A esposa de Jaques, Fabiane Sztajnbok trabalha junto com o marido e conta que a relação deles com os filhos mudou desde o início da pandemia.

“Ambos estão na linha de frente e a gente sempre tem essa angústia, essa preocupação do que acontece quando a gente chega em casa, o que a gente pode estar trazendo pra casa. Tem a preocupação que não existia antes, tem a preocupação relacionada com as crianças.”

Além da saudade da filha, a Alessandra Said também precisa ter atenção com os pais, ambos infectados pelo coronavírus. “Pra proteção da minha família eu tava morando sozinha com meu esposo dentro de casa, até meus pais pegarem a Covid-19 e eu ir pra lá todos os dias. Então o meu tempo é muito pro trabalho e o pouco tempo que tenho pra mim não é pra mim, é pra tentar cuidar da minha família.E a minha filha tá me fazendo sofrer muito ficar longe dela.”

Para Fabiane Sztajnbok, no entanto, apesar de toda cautela e cuidado que o momento exige, ainda sobra espaço para ter fé e agradecer. “Não tem um dia que eu não me desperte no meio da noite com angústia e preocupada. Não tem um dia que eu não acordo e não falo: que bom que eu ainda tenho saúde e estou bem e tenho coragem para enfrentar essa doença.”

O Emílio Ribas onde Fabiane e Jaques trabalham está com a UTI lotada. Em todo o estado de São Paulo, a taxa de ocupação desses leitos é de quase 74%. Cerca de 4.782 pessoas morreram já morreram por causa do coronavírus, sendo pelo menos seis crianças.

Só na última semana foram mais de mil mortes e o número de infectados passa de 62 mil.