Sem acordos, reforma política pode ir à votação nesta terça no plenário da Câmara

  • Por Jovem Pan
  • 22/08/2017 06h27 - Atualizado em 22/08/2017 12h19
BRA100. BRASILIA (BRASIL), 12/04/2017 - Vista general de la Cámara de Diputados vacía hoy, miércoles 12 abril de 2017, en Brasilia (Brasil). Las investigaciones autorizadas por supuesta corrupción contra ocho ministros y decenas de legisladores de 14 partidos abrieron hoy otra fase de la aguda crisis política brasileña y dejaron contra la pared al Gobierno de Michel Temer. Además de ocho ministros y decenas de parlamentarios, en la lista de sospechosos están 12 de los 27 gobernadores del país y los cinco expresidentes brasileños vivos: José Sarney (1985-1990), Fernando Collor de Mello (1990-1992), Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) y Dilma Rousseff (2011-2016). EFE/Joédson AlvesAntes desta votação, Maia chamou os líderes para uma tentativa do chamado “acordo de procedimento”, a ordem de votação das emendas

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, leva nesta terça-feira (22) ao plenário a emenda da reforma política sem a certeza de aprovação do distritão, que ele e o PMDB defendem. Há resistências, e uma outra emenda tenta implantar o distritão misto, que também não é consenso.

A dificuldade é conseguir 308 votos favoráveis no plenário.

Antes desta votação, Maia chamou os líderes para uma tentativa do chamado “acordo de procedimento”, a ordem de votação das emendas.

O líder do PMDB na Câmara, deputado Baleia Rossi, quer o distritão: “existe proposta alternativa do distritão com o voto de legenda. Claro que chegar a 308 votos é a grande dificuldade, agora, tenho visto trabalho grande para que os mais votados sejam os eleitos. É o empoderamento do voto do eleitor em detrimento dos partidos”.

Mesmo o PMDB está dividido. No Sul, a defesa é do distrital ou nada, com tendência forte de ficar como está hoje: eleição por coligação partidária ou partido. O deputado José Fogaça (PMDB-RS) fez defesa do voto de coligação e do distrital: “no Brasil gera-se um distritão, como um Estado inteiro. Se ele não visitar o Estado inteiro ele não se elege. Precisa gastar enormes quantias de dinheiro. Distritão acaba sendo argumento para fundo eleitoral, que é estapafúrdio, de R$ 3,6 bilhões”.

Outro ponto discutido é o financiamento de campanha. A emenda deve criar o fundo mas sem os R$ 3,6 bilhões da proposta aprovada pela comissão. Há ainda a tentativa de voltar com a doação de empresas, mas a possibilidade, segundo avaliação de líderes, é de que isso dificilmente ocorrerá.

O que pensa o relator

O relator da reforma política na Câmara admitiu que mudanças estruturais no sistema eleitoral ficam só para 2020 ou 2022. Vicente Cândido deu a declaração nesta segunda-feira (21) durante um seminário promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo, na Zona Norte de São Paulo.

Vicente Cândido afirmou que, independentemente do resultado, o eleitor não deve esperar mudanças estruturais, pelo menos por agora.

*Informações dos repórteres José Maria Trindade e Tiago Muniz