Semana desastrosa aumenta desconfiança mundial sobre o bitcoin

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan em Londres
  • 03/02/2018 10h00
Michael Wuensch/PixabayAs últimas variações foram impulsionadas por uma sequência de notícias que espantaram os investidores. Entre elas a de que o Facebook não vai mais permitir anúncios de criptomoedas

Na capital do Reino Unido o final de semana vai ser daqueles pra lembrar que ainda falta muito pro inverno acabar. Temperaturas baixas, chuva e frio antecipam a previsão de neve para a semana que vem. Por essas, e também por outras, que ninguém por aqui se anima pro carnaval, que é comemorado em alguns países europeus. Festa de rua na Inglaterra só lá pro meio do ano mesmo.

Mas se há um assunto que os britânicos se animam em debater, assim como a maior parte do mundo, é o bitcoin, a mais famosa das criptomoedas.

Foi mais uma semana horrível para o dinheiro digital, digamos assim. O bitcoin chegou a ser negociado abaixo de oito mil dólares ontem. Menos da metade do que valia no Natal passado, quando bateu perto dos 20 mil dólares.

Mas… não se esqueça que exatamente um ano atrás a moeda valia mais ou menos mil dólares. E esse é só um dos grandes problemas com o bitcoin. As variações monstruosas num curto espaço de tempo dão uma pista de que há algo de muito esquisito acontecendo.

As últimas variações foram impulsionadas por uma sequência de notícias que espantaram os investidores. Entre elas o fato de que o Facebook não vai mais permitir anúncios de criptomoedas. E o governo americano também confirmou que vai investigar a supervalorização do bitcoin no ano passado porque existem indícios de manipulação do mercado.

Aí no Brasil os bancos também lançaram uma investida dura contra esse tipo de negócio. Bradesco, Santander e Itaú, por exemplo, não estão aceitando mais abrir contas e movimentar dinheiro de corretoras que fazem transações com moedas digitais.

O economista da Universidade de Nova York, Nouriel Roubini, que é famoso por ter previsto a crise de 2008, crava sem nenhuma dúvida: o bitcoin é a mãe de todas as bolhas. Lembrando que existem outras tantas criptomoedas, como ethereum, litecoin e ripple, que para Roubini são bolhas ao quadrado porque seus valores intrínsecos são ainda menos relevantes.

Aqui em Londres, se eu quiser forçar um pouco a barra, eu posso dizer que de fato dá pra você gastar bitcoin na vida real, fora da deepweb. Existem cafeterias, galerias de arte e até vendedores de imóveis que topam fazer negócio dessa forma. Mas ainda está longe de ser algo massificado.

Os críticos dizem que o bitcoin é uma forma de ajudar o crime organizado a lavar dinheiro e esconder patrimônio. Algo que os banqueiros suíços sempre foram muito bons em fazer, é verdade. Mas a diferença é que garboso comércio da Rue du Rhône não pergunta de onde veio nem tem dificuldade de aceitar notas de euro ou franco suíço.

Por isso, se você quiser entrar nessa de bitcoin é melhor ficar bem esperto e ciente de que por enquanto o grau especulativo da brincadeira é maior do que se pode antecipar.