Semana será decisiva para entender o coronavírus, diz jornalista brasileiro na China

  • Por Jovem Pan
  • 03/02/2020 10h06 - Atualizado em 03/02/2020 10h08
EFELuiz Tasso ainda desmistificou o boato de que chineses se alimentam constantemente de carnes de morcego e outros animais selvagens

O mundo está entrando em uma semana decisiva para entender melhor o coronavírus, de acordo com o jornalista brasileiro Luiz Tasso Neto — que trabalha na agência de notícias chinesa Xinhua, em Pequim.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, Luiz Tasso lembrou que é nesse período que se completam 14 dias do isolamento da cidade de Wuhan, epicentro da doença. E essa é também a quantidade de dias que o vírus pode ficar encubado no corpo humano.

“A partir daí teremos uma ideia mais clara em relação a números de infectados, de afetados. Quem saiu de Wuhan antes do fechamento da cidade ainda tem a possibilidade de estar infectado. Mas, ao cumprir os dias, teremos noção da extensão, onde o vírus pode chegar.”

Dados atualizados na noite desta segunda-feira (3), às 20h30 no horário local (9h30 de Brasília), registram 17.336 casos confirmados e 21 de casos suspeitos. Mais de 500 vítimas já se recuperaram e 361 morreram.

Também nesta segunda-feira o Banco Popular Chinês emitiu uma nota tentando tranquilizar o mercado financeiro. Na última semana, os principais índices de referência do país caíram e as bolsas asiáticas fecharam em forte queda por conta do surto do coronavírus.

“O BC da China tentou dar uma confiança aos investidores globais. Eles citam, inclusive, que empresas que não teriam desempenho forte estão em alta justamente por conta da situação. Casos como sites de compra online, alimentação. Mas há uma preocupação com a indústria.”

Luiz Tasso ainda desmistificou o boato de que chineses se alimentam constantemente de carnes de morcego e outros animais selvagens. “Houve um período na China que a população passava por uma situação terrível de fome e extrema pobreza. Isso é um mito, não tem tanto fundamento na verdade. Esse período passou, mas a questão da higiene ainda é um problema.”

O jornalista, porém, foi enfático ao dizer que as campanhas estão acontecendo com muita força. “Os meios de comunicação fazem a sua parte, as redes sociais também. Todo mundo sabe que precisa usar máscara, lavar bem as mãos, usar álcool gel, cobrir o rosto ao tossir ou espirrar”, finalizou.