Senado pede explicações a Ernesto Araújo sobre apoio a Trump

  • Por Jovem Pan
  • 07/02/2020 06h37 - Atualizado em 07/02/2020 08h24
EFE/Joédson AlvesO ministro Ernesto Araújo será convidado pelo Senado para responder questionamentos sobre o apoio às políticas norte-americanas

Senado vai convidar o ministro Ernesto Araújo para explicar apoio do Brasil ao plano de Donald Trump para Israel e Palestina. A Comissão de Relações Exteriores da casa aprovou requerimento, mas ainda não marcou a data da audiência. No último dia 29, o Itamaraty endossou a medida apresentada pelos Estados Unidos.

Donald Trump irritou os palestinos ao propor a criação de um estado desmilitarizado e reconhecer a soberania de Israel em assentamentos. Ao lado do primeiro ministro Binyamin Netanyahu, o presidente americano chamou de “acordo do século”. Nesta quinta-feira, o senador Esperidião Amin, do Partido Progressista, de Santa Catarina, sugeriu a convocação de Ernesto Araújo e justificou.

“Eu acho que nós temos que procurar a paz, e a paz não pode ser ignorar a história do brasil nessa questão dos dois Estados, Israel e Palestina, independentemente de preferências, de credo, de aspectos outros. Convidar o ministro para explicar essa mudança da posição do Brasil não significa contestar, mas ignorar isso, creio que seria uma grande responsabilidade”

Esperidião Amin afirma que o ministro também poderá explicar o plano de transferir a embaixada de Israel, hoje em Tel-Aviv, para Jerusalém. O convite a Ernesto Araújo não encontrou resistência dos parlamentares e foi elogiado pelo senador Marcos do Val (Podemos). “Captar a importância do pedido desse requerimento para que a gente possa discutir junto ao ministro das Relações Exteriores essa questão da paz proposta pelo presidente americano”

Apesar das manifestações dos senadores, o ministro Ernesto Araújo não é obrigado a comparecer à Comissão de Relações Exteriores. Caso o chanceler aceite, serão propostas datas para que ele vá ao Congresso Nacional.

Nesta quinta-feira, Araújo falou sobre a medida dos Estados Unidos que vai deportar brasileiros que entrarem de forma ilegal o país. Ele acredita que o mais importante é não contestar as leis norte-americanas, além de ser papel do governo do Brasil receber os cidadãos deportados.

Ernesto Araújo foi questionado sobre os relatos de brasileiros que disseram ter sido maltratados na fronteira do México com os Estados Unidos. O chanceler respondeu, dizendo imaginar que as condições de uma imigração ilegal são difíceis, mas reiterou que o papel dele é garantir, dentro da Constituição dos dois países, que brasileiros não sejam discriminados.

* Com informações de Camila Yunes.