‘Sendo otimista, remédio para coronavírus sai em meses’, diz médico que lidera pesquisa

  • Por Jovem Pan
  • 28/02/2020 10h10
Marcelo Camargo/Agência BrasilEle ressalta a necessidade da realização de uma boa higiene na prevenção, que inclui lavar sempre as mãos e usar álcool em gel

O médico que lidera um estudo de remédios contra o novo coronavírus na Universidade do Nebraska, nos Estados Unidos, André Kalil, reafirmou que o processo de produção de remédios e vacinas é demorado. Em entrevista ao Jornal da Manhã, Kalil disse que, na melhor das hipóteses, um medicamento contra o Covid-19 vai demorar meses para ficar pronto.

“Existe uma boa intenção em trazer remédios e vacinas novas, em tempos de crise esse processo é ainda mais acelerado. Mas o processo de descoberta e criação demora meses, até anos. Você precisa de voluntários saudáveis, coletar sangue, medir doses — além de verificar se resolve os sintomas e se é segura. É um processo que precisa ser feito rápido, mas precisamos ter cuidado.”

Os estudos liderados pelo médico André Kalil estão previstos para durar três anos e, ao que tudo indica, vai agir na inibição do vírus no quesito da replicação — que é justamente o que piora os sintomas nos pacientes infectados. “Se conseguirmos reduzir a replicação, teremos uma melhora rápida dos sintomas.”

Kalil reforça que esses medicamentos são focados no tratamento de pacientes que estão com a infecção de moderada a severa. “O vírus precisa estar no pulmão, precisamos de uma pneumonia secundária do coronavírus. Cerca de 80% das pessoas que vão adquirir o coronavírus não curar sem remédio, só com hidratação e analgésico. Mas de 10% a 20% dos casos vão progredir para pneumonia e são esses pacientes que pretendemos ajudar.”

André Kalil citou que essa é a sétima versão dos coronavírus já conhecidos. “Quatro deles são os que temos todos os anos como resfriados e, além deles, temos a SARS e a MERS — que foram mais graves. A diferença é que, por mais que a letalidade seja baixa, o Covid-19 é muito mais contagioso.”

Ele ressalta a necessidade da realização de uma boa higiene na prevenção, que inclui lavar sempre as mãos e usar álcool em gel, porque a maior via de contágio é pelo contato com o vírus em pessoas e superfícies.