Sete a cada 10 agressões a jornalistas no Brasil têm políticos como suspeitos

  • Por Jovem Pan
  • 04/05/2018 12h03 - Atualizado em 04/05/2018 12h05
ReproduçãoAssassinado, radialista Franzé Rodrigues mantinha uma página no Facebook na qual comentava sobre crimes na região de Morada Nova (CE)

A ONG Artigo 19 lançou nesta quinta-feira (3) o relatório “Violações à Liberdade de Expressão – 2017”, estudo anual da entidade que registra e analisa as graves violações cometidas contra comunicadores no Brasil. O lançamento ocorre na mesma data em que se celebra o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

Em sua sexta edição, o relatório, que traz as violações contra comunicadores registradas em 2017, aponta que as principais tendências que marcam o cenário de hostilidade à liberdade de expressão no país seguem basicamente as mesmas.

Foram registradas ao todo 27 violações, sendo 21 ameaças de morte, quatro tentativas de assassinato e dois homicídios. Apesar da ligeira redução em comparação ao relatório do ano passado – que registrou 31 violações –, os números continuam altos em relação a outros países e próximos da média histórica brasileira.

O Nordeste continua sendo a região que concentra o maior número de violações, com 56% dos casos. Já na divisão por Estados, o Ceará aparece em primeiro lugar, com sete registros de violações no total. Foi nesse Estado que também ocorreram os dois únicos homicídios registrados.

No recorte por tamanho de cidade, o padrão segue o mesmo em relação aos últimos anos. A grande maioria das violações (69%) se deu em cidades pequenas, com menos de 100 mil habitantes, enquanto que as cidades médias (entre 100 e 500 mil habitantes) registraram 23% dos casos. Já nas cidades grandes (mais de 500 mil habitantes) aconteceram 8% das ocorrências apuradas.

Os agentes públicos e políticos são suspeitos de terem atuado como executores ou mandantes das violações em 70% dos casos. Na análise das motivações que levaram às violações, a realização de denúncias foi a mais comum (67% dos casos), seguido pela emissão de críticas e opiniões (26%) e a realização de investigações jornalísticas (7%).

Homicídios

Os dois casos de comunicadores assassinados tiveram blogueiros como vítimas e ocorreram no Ceará. Um deles era Francisco José Rodrigues, conhecido como Franzé. Ex-radialista, ele mantinha uma página no Facebook na qual comentava sobre crimes na região de Morada Nova (CE), onde morava. No dia 11 de agosto de 2017, foi morto com tiros disparados por dois homens enquanto saía da casa de sua mãe.

A denúncia de crimes também era tema presente no blog de Luís Gustavo da Silva, de Aquiraz (CE). No dia 14 de junho de 2017, o comunicador foi assassinado na porta de sua casa.

As informações são de Claudio Tognolli ao Jornal da Manhã: