Setor cultural contabiliza perdas e busca se reinventar durante a crise 

  • Por Jovem Pan
  • 27/04/2020 06h24 - Atualizado em 27/04/2020 08h09
EFE/EPA/NEIL HALLDe acordo com o Ministério da Cultura, 5 milhões de pessoas trabalham na indústria responsável por quase 3% do PIB brasileiro

A atriz Gabriela Toloi sabe que neste ano as cortinas do teatro vão demorar para abrir. Com a pandemia, os planos de estrear uma peça no primeiro semestre tiveram de ser repensados.

Não se sabe quando será possível retornar aos palcos. Por outro lado, Gabriela acredita que a crise tem mostrado a importância da arte na vida das pessoas.

O setor artístico é um dos mais afetados pela crise do coronavírus, já que vive, em parte, de plateias, de aglomeração, em ambientes fechados como cinemas, teatros e casas de show.  Por essa característica, foi um dos primeiros a sofrer com restrições e será um dos últimos a voltar à normalidade.

De acordo com o Ministério da Cultura, 5 milhões de pessoas trabalham na indústria responsável por quase 3% do PIB brasileiro.

Para a produtora Joanna Henning, CEO do estúdio escarlate, o momento de incerteza exige reflexão e criatividade.

Braço fundamental do setor, o mercado musical também está apreensivo.  Segundo o núcleo de pesquisas data sim, mais de 8 mil eventos foram cancelados nas últimas semanas e o prejuízo já soma quase R$ 500 milhões.

O produtor de eventos Marcelo Checon, responsável por festivais como Lolapalooza e Rock in Rio, é um dos que tem buscado com alternativas para atenuar a crise. Já a analista de dados do instituto, Renata Gomes, ressalta a necessidade de políticas voltadas para a área.

Recentemente, um grupo formado por artistas, diretores e produtores divulgou um vídeo questionando a secretária especial de cultura, Regina Duarte, pela demora na implementação de medidas para salvar o setor.

Em resposta, o governo federal apresentou uma proposta de flexibilização de prazos para aliviar o sofrimento do meio artístico. A proposta irá permitir que os projetos aprovados pela pasta e que possuem prazos de captação e execução inferiores a dezembro de 2020 sejam prorrogados até o fim do ano.

A medida estabelece também que os recursos para estes programas culturais poderão ser autorizados antes do valor mínimo arrecadado.

*Com informações do repórter Vinícius Moura