Símbolo da corrupção na Petrobras, Comperj pode virar unidade de fabricação de lubrificantes

  • Por Jovem Pan
  • 28/12/2019 09h47
Fernando Frazão/Agência BrasilIdeia é construir uma unidade especializada na produção e fabricação de lubrificantes de altíssima qualidade e valor agregado, conhecido como lubrificante de 2ª geração

A Petrobras já tem planos para o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), localizado no município de Itaboraí, que virou uma espécie de símbolo do Petrolão. A ideia é construir uma unidade especializada na produção e fabricação de lubrificantes de altíssima qualidade e valor agregado, conhecido como lubrificante de 2ª geração.

O Brasil praticamente não produz esse produto, apenas uma qualidade mais baixa dele, na Refinaria de Duque de Caxias (Reduc) e na unidade de Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor) — esta última está inclusive no plano de vendas de ativos da estatal.

A intenção é que, através de dutos, o petróleo saia da refinaria de Duque de Caxias, também no Rio, e vá para a planta em Itaboraí. O projeto será desenvolvido a partir de 2021. Segundo fontes ouvidas pela Jovem Pan, seriam necessários de 400 a 500 milhões de dólares para transformar o complexo petroquímico em uma unidade de produção de lubrificantes.

Outra proposta estudada pela Petrobras é instalar ali pelo menos uma usina termelétrica movida a gás, aproveitando a infraestrutura já montada e a grande quantidade de gás que virá do pré-sal nos próximos anos. Essa poderia, inclusive, ser uma parceria entre a estatal e empresas estrangeiras.

No passado, o Comperj era para ser uma unidade petroquímica de 1ª, 2ª e até 3ª geração. No entanto, ele foi marcado por desvios, irregularidades e necessidade de uma baixa contábil de mais de 6 bilhões de dólares entre 2014 e 2015.

O próprio presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou recentemente que por melhor que tenha sido feito esse cálculo, ele acredita que esta subestimado, uma vez que no complexo houve muitos desvios de recursos em inúmeros contratos firmados pela então cúpula da estatal.

Muitos dos envolvidos foram, inclusive, parar na cadeia. Provavelmente o mais conhecido seja o antigo diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

* Com informações do repórter Rodrigo Viga