Situação de Onyx Lorenzoni no governo se complica

  • Por Jovem Pan
  • 31/01/2020 06h25 - Atualizado em 31/01/2020 09h36
Valter Campanato/Agência BrasilOnyx Lorenzoni deve antecipar retorno das férias

A decisão do presidente Jair Bolsonaro de fazer mudanças na estrutura da Casa Civil preocupa o grupo ligado ao ministro da pasta, Onyx Lorenzoni.

Bolsonaro determinou ontem, pela segunda vez na semana, a exoneração de Vicente Santini da Assessoria Especial de Relacionamento Externo da Casa Civil. Foi a segunda demissão em menos de uma semana.

Santini foi alvo da ira do presidente da República por ter viajado em avião das Forças Aéreas Brasileiras (FAB) de Davos a Nova Délhi, na Índia. A Casa Civil defendeu o deslocamento.

O presidente admitiu que a atitude não foi ilegal, mas foi “imoral” por conta dos custos, e lembrou que todos os ministros viajam hoje em aviões comerciais.

Santini é amigo dos filhos de Bolsonaro. Foi exonerado na terça-feira, recontratado na quarta e novamente exonerado na quinta-feira. Bolsonaro determinou também que Fernando Moura, que assinou a recontratação, fosse exonerado da Secretaria Executiva.

Com isso, o presidente indicou o terceiro ocupante do cargo essa semana: Antônio José Barreto, nomeado ontem como secretário executivo interino da Casa Civil.

Vale ressaltar que a confusão dentro do Palácio do Planalto está enfraquecendo o ministro Onyx Lorenzoni. De férias, ele retornaria ao trabalho na próxima segunda-feira, mas, diante da polêmica, a expectativa é que ele venha ao Palácio do Planalto para conversar com o presidente ainda hoje.

Em meio ao desgaste, cresceram os boatos de mudança na pasta, que vem sendo desidratada desde o ano passado. Onyx já perdeu a coordenação política de governo para o ministro da Secretaria de Governo, Eduardo Ramos, e também a Secretaria de Assuntos Jurídicos para o ministro da Secretaria Geral, Jorge Oliveira.

A transferência do Programa de Parceria e Investimentos (PPI) para o Ministério da Economia deixa a Casa Civil com poucas funções. O PPI é responsável pelos processos de privatizações e concessões.

O ministro Paulo Guedes há tempos defendia que o programa devia ficar subordinado a ele — até como forma de acelerar as discussões e as privatizações. Aliados de Lorenzoni no Congresso Nacional reclamam do que eles têm chamado de “processo de fritura”, e defendem que Onyx peça para sair do governo. Como tem mandato, ele voltaria para a Câmara.

A confusão na Casa Civil iniciou uma nova onda de especulações sobre a possibilidade de reforma ministerial, uma vez que o presidente Bolsonaro tem mostrado insatisfação também com o ministro da Educação, Abraham Weintaub. O presidente, pelo menos por enquanto, ainda desconversa.

“Sempre eu falo por enquanto, para todo mundo. O único que não é por enquanto, é o Mourão. O resto, tudo é por enquanto.”

Ontem, ao desembarcar em Brasília, depois de ter sobrevoado áreas atingidas pelas chuvas em Minas Gerais, Bolsonaro foi fazer exames de rotina no hospital das Forças Armadas. Por isso, inclusive cancelou sua tradicional live nas redes sociais de quinta-feira. Chamou atenção o fato do presidente não ter agenda de trabalho no Palácio do Planalto ou no Alvorada, residência oficial da presidência da República.

* Com informações de Luciana Verdolin