Sob pressão de produtores de milho, governo lança Plano Safra nesta terça

Agricultores e pecuaristas cobraram do governo federal medidas contra a escassez do cereal

  • Por Jovem Pan
  • 22/06/2021 06h30 - Atualizado em 22/06/2021 08h25
Dida Sampaio/Estadão ConteúdoAnúncio oficial da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que vai ocorrer no Palácio do Planalto nesta terça-feira

O Plano Safra 2021/2022 vai ser lançado nesta terça-feira, 22. O Conselho Monetário Nacional aprovou, nesta segunda, as condições das linhas de crédito rural do plano. No entanto, as definições acordadas só vão ser divulgadas depois do anúncio oficial da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que vai ocorrer no Palácio do Planalto. Em audiência na Câmara dos Deputados, agricultores e pecuaristas cobraram do governo medidas contra a escassez do milho. Representantes do setor disseram que o problema da diminuição do cereal no mercado brasileiro é influenciado pela adoção de políticas de incentivo à importação, renúncia fiscal por parte do governo federal e apoio à armazenagem e à irrigação. A escassez não tem apenas um motivo, mas vários fatores, como a alta nas exportações do produto, problemas climáticos e o surgimento de pragas nas plantações.

Pra explicar o aumento no preço do cereal, o diretor-executivo da Associação de Avicultores do Espírito Santo, Nélio Hand, faz uma comparação do valor do milho agora e no início do ano passado. “No início aí de 2020 nós comprávamos uma saca de milho com 17 dúzias de ovos. Hoje, a mesma saca, ela precisa ser desprendida 27 dúzias de ovos”, pontuou. A escassez do milho aumenta o preço, afeta e impacta diretamente o bolso do consumidor. Os preços de alimentos como ovos, carne de frango e de porco estão subindo, justamente porque o grão é a base da dieta desses animais. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Ricardo Santin, aponta que são necessárias medidas como a suspensão da cobrança do Pis e Cofins para importação do milho de fora do Mercosul.

Já o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho, Cesário Ramalho, cobrou mais incentivos para o setor. “Nós devíamos fazer um programa de incentivo a esse agricultor que já planta milho para ele que produz cinco mil quilos, produzir seis mil quilos. Então temos que criar, bolar, algum incentivo que ele ganhe um extra para produzir, porque ele produz uma riqueza para o brasil”, disse. Sobre o tema, a deputada Soraya Manato citou um projeto, parado no Senado Federal, que fomenta o transporte ferroviário e disse esperar uma medida provisória tratando da pauta.

*Com informações da repórter Camila Yunes