Sob risco de extinção, governo brasileiro quer ‘maior relevância’ no Fundo Amazônia, diz Salles

  • Por Jovem Pan
  • 04/07/2019 09h42 - Atualizado em 04/07/2019 10h47
Marcelo Camargo/Agência Brasil Ministro do Meio Ambiente disse que Brasil está conversando com países doadores, mas que sem consenso Fundo pode acabar

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, reafirmou, nesta quinta-feira (4), que o Fundo Amazônia pode ser extinto caso as conversas com os doadores, Noruega e Alemanha, não avancem como o esperado. Segundo ele, o Brasil espera por “maior relevância” e mais tomadas de decisões dentro do fundo, já que ninguém administraria melhor uma doação para o Brasil do que os próprios brasileiros.

“O que mais incomoda o governo nesse caso é que o Fundo Amazônia é colocado como uma doação ao Brasil, ou seja, algo que o país poderia dispor, mesmo que dentro de alguns parâmetros e condições. No sistema atual, nós não temos gerência nenhuma, já que só possuímos 1/3 do poder de decisão”, explicou em entrevista ao Jornal da Manhã.

Salles disse que também há divergência de visões do governo com a dos países que alimentam o fundo. “Não tem alinhamento das questões do Fundo Amazônia com as visões que o governo tem, que é uma coisa que precisa ser selecionada urgentemente. A doação é para o governo brasileiro, vem para o banco brasileiro, o BNDES, para um departamento brasileiro. Então não tem sentido o governo não ter um papel preponderante”, afirmou.

“Não queremos excluir, mas queremos ter maior relevância. Quem melhor representa o governo são os membros do governo”, ressaltou.

Apesar da polêmica, o ministro declarou que as conversas com os embaixadores de Noruega e Alemanha estão caminhando bem. Ele afirmou que nem o governo brasileiro e nem os doadores desejam extinguir o fundo e que, para evitar isso, os três países estão construindo uma minuta, expondo seus pontos de vista. “As previsões são positivas”, falou.

Mesmo assim, ele não descartou a possibilidade de que o Fundo acabe. “Se isso [a minuta] não avançar, poderia acabar sim”, lembrou.