Sob sanções, Irã e OPEP perdem relevância no mercado de petróleo 

  • Por Jovem Pan
  • 13/01/2020 08h15 - Atualizado em 13/01/2020 08h29
Agência BrasilDesde 2016, a OPEP vem tentando reduzir a produção petrolífera mundial para aumentar o preço da commodity

Uma das principais narrativas contrárias a atuação norte-americana contra o Irã defende que os Estados Unidos têm interesse no petróleo da região. Porém o Irã é apenas o 7º maior produtor de petróleo cru do mundo.

De acordo com a agência de Energia americana, os iranianos produzem 4,5 milhões de barris por dia. O Iraque, palco de todo o conflito, não fica longe: em 6º lugar, com 4,6 milhões de barris por dia.

Na verdade, são os Estados Unidos os maiores produtores de petróleo do mundo. São 18 milhões de barris por dia, o dobro do que iranianos e iraquianos produzem juntos.

O ex-diretor da Petrobras, Adriano Pires, destaca que o oriente médio como um todo e os países da OPEP perderam importância no cenário da produção de petróleo.

“O Oriente Médio já produz uma quantidade muito inferior. Hoje a OPEP tem uma produção de apenas 40% do total produzido no mundo.”

A OPEP, a Organização dos Países Produtores de Petróleo, é o cartel internacional criado em 1960 com o objetivo de regular o preço do petróleo. Entre os principais membros estão Arábia Saudita, Venezuela, Emirados Árabes Unidos e Irã.

Em 2012, o barril de petróleo chegou a ser vendido a mais de US$ 120. O preço teve uma queda brusca entre 2014 e 2015, chegando a US$ 30 em 2016.

Desde 2016, a OPEP vem tentando reduzir a produção petrolífera mundial para aumentar o preço da commodity. O Irã, em específico, vem perdendo mais relevância no cenário por conta das sanções comerciais impostas por conta da política de enriquecimento de urânio do país.

A situação se agravou em maio de 2018, quando os Estados Unidos abandonaram o acordo nuclear de 2015, e intensificaram as sanções.

Para Adriano Pires, um dos fatores que ajudaram a compor o cenário de perda de importância do petróleo do oriente médio foi o desenvolvimento por parte dos americanos da tecnologia do fracking, o fraturamento hidráulico.

O procedimento, usado na exploração do shale oil, o petróleo de xisto, tornou os Estados Unidos também os maiores exportadores do mundo.

O professor destaca também o fato de que hoje o mundo cresce através de empresas mais voltadas para a tecnologia, que não são intensivas em consumo de petróleo, como Apple e Amazon.

Apesar disso, o coordenador do curso de Relações Internacionais da ESPM, Marcelo Zorovich, aponta para o tamanho das reservas de petróleo iranianas como um grande potencial.

Em novembro, o presidente do Irã, Hassan Rohani, anunciou a descoberta de um campo de petróleo no Sul do país.

Para Marcelo Zorovich isso elevaria a importância do Irã no cenário petrolífero internacional. “Estima-se aí que são mais de 50 bilhões de barris de óleo bruto e essa nova reserva pode aumentar em 1/3 as reservas comprovadas do país.”

Caso a descoberta seja comprovada, o Irã passaria de 4º para 3º país com o maior número de barris de petróleo em reserva no mundo.

*Com informações do repórter Renan Porto