SP tem primeiro hospital com UTI lotada; infectologista explica situação

  • Por Jovem Pan
  • 16/04/2020 13h02 - Atualizado em 16/04/2020 13h12
Claudio Furlan/EFEJean explicou que cada paciente em estado grave permanece, em média, de 15 a 20 dias na UTI

O estado de São Paulo tem o primeiro hospital público com a unidade de terapia intensiva (UTI) completamente preenchida. Ao todo, os 30 leitos do Instituto Emílio Ribas estão ocupados com pacientes infectados pelo coronavírus. Em entrevista ao Jornal da Manhã – 2ª Edição desta quinta-feira (16), o infectologista do instituto, Jean Gorynchtein, afirmou, no entanto, que o local não possui filas de espera para a UTI, porque os possíveis novos pacientes são transferidos para outras unidades de saúde.

“Não temos fila de espera, uma vez que todos os pacientes são direcionados pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (CROS). Felizmente, nós estamos tendo tempo hábil para nos preparar fazendo com que, dessa forma, haja condições de receber (em outros hospitais) os pacientes de forma bastante diferente daquilo que se observou em outros países como a Itália, China, Espanha e os Estados Unidos.”

Entretanto, segundo Jean, embora o sistema de saúde esteja fazendo o direcionamento dos pacientes, evitando uma fila de espera, o necessário é que a população coopere adotando o isolamento social.

“Preparação é algo fundamental, mas é importante que haja distanciamento social. O ideal é que tivéssemos 70% das pessoas fazendo o isolamento, mas observamos uma queda em 47%. Uma vez não atingidas as metas, há maior chance de ter o vírus circulando e de pessoas que vão precisar dos leitos e de respiradores.”

Segundo o infectologista, as pessoas que chegarem ao pronto atendimento serão atendidas até ter o quadro estabilizado para transferência hospitalar, seja para a rede pública ou privada.

“Nesse momento, podemos contar com todas as prerrogativas. Temos inúmeros hospitais utilizados e solicitados pelo sistema regulador. Mas, caso tenhamos total comprometimento das unidades, já existe a parceria das secretarias com os hospitais privados para recepcionarem os pacientes. Todos estão unidos para o bem comum que é a vida.”

Jean Gorynchtein explicou que cada paciente em estado grave permanece, em média, de 15 a 20 dias na UTI. Por isso, como a “renovação de leitos é lenta e gradual” é necessário ter um o número de vagas disponíveis. De acordo com ele, dos 30 pacientes internados na unidade de terapia intensiva do Emílio Ribas, cerca de 75% fazem parte do grupo de risco.

“Cerca de 75 a 80% se assumem com condições paciente de risco. Seja por serem idosos ou terem doenças cardiovasculares ou pulmonares. Temos evidenciados que 25% dos pacientes estão abaixo dos 60 anos e eram, aparentemente saudáveis. É claro que isso está relacionado com uma resposta individual.”

O infectologista afirmou ainda que o instituto está acompanhando os resultados de estudos sobre a cloroquina para avaliar a situação de “forma ética e segura”.