SP tem três casos de mortes após transplante de fígado em tratamento da febre amarela

  • Por Jovem Pan
  • 02/02/2018 06h21
PixabayPacientes em situação de urgência por causa do vírus têm prioridade na fila para ter um novo órgão

Morte de paciente com febre amarela que recebeu transplante de fígado no Hospital das Clínicas, em São Paulo, levanta dúvidas sobre o método. Foi o primeiro caso de óbito no HC, onde outras quatro pessoas fizeram a cirurgia para reverter o quadro de hepatite fulminante.

A doença se desenvolve porque o vírus da febre amarela, em alguns casos, se aloja especificamente nesse órgão.

Liliana Ducatti, cirurgiã da equipe de transplante de fígado do Hospital das Clínicas de São Paulo, explicou que o método é usado em casos determinados: “a cirurgia do transplante só vai ser indicada e só vai resolver casos de febre amarela grave naqueles pacientes em que o principal órgão acometido foi o fígado e que este foi grave a ponto de provocar parada do órgão”.

A cirurgiã disse ainda que o transplante não resolve problemas cardíacos e neurológicos também causados pelo vírus.

O secretário da Saúde de São Paulo, David Uip, destacou que medicamentos para hepatite C estão sendo testados para serem usados contra a febre amarela: “o vírus da febre amarela é do mesmo grupo de vírus da Hepatite C. Então percebeu-se que o vírus da Hepatite C talvez se beneficiou muito com o tratamento. Então, a primeira possibilidade foi avaliar será possível fazer a mesma coisa com o vírus da febre amarela”.

O secretário de Estado da Saúde afirmou que um protocolo de pesquisa está em desenvolvimento para analisar todas as alternativas.

Para os casos mais graves da febre amarela, que levam ao desenvolvimento da hepatite fulminante, a prioridade ainda é o transplante.

Pacientes em situação de urgência por causa do vírus têm prioridade na fila para ter um novo órgão.

O paciente que faleceu no Hospital das Clínicas foi o quinto a passar pelo procedimento na capital paulista. De acordo com o HC, os outros quatro pacientes seguem em recuperação da cirurgia.

Outras duas pessoas que receberam um novo fígado no Hospital da Universidade Estadual de Campinas não resistiram.

*Informações do repórter Matheus Meirelles