Terceira eleição em menos de um ano testa força de Netanyahu em Israel

  • Por Jovem Pan
  • 02/03/2020 07h24 - Atualizado em 02/03/2020 09h41
EFEO novo pleito seria em 10 de março, mas a data é um feriado judaico. Por isso, os partidos chegaram a um consenso e anteciparam a disputa

Israel realiza nesta segunda-feira (2) a terceira eleição em menos de um ano. A disputa se concentra entre o atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, do Likud, e Benny Gantz, do partido Azul e Branco. Até agora, nenhum deles teve maioria no Parlamento para a criação um novo governo.

As duas últimas tentativas, em abril e setembro, fracassaram. Diante disso, tanto Netanyahu quanto Gantz tiveram a oportunidade de formar uma coalização, mas não conseguiram.

O novo pleito seria em 10 de março, mas a data é um feriado judaico. Por isso, os partidos chegaram a um consenso e anteciparam a disputa.

O professor de Direito Internacional da FMU Manuel Furriela disse que as pequisas apontam que o resultado não deve ser muito diferente das eleições anteriores. “O que nós teremos é uma eleição com resultado provavelmente fragmentado, com grupos de interesse fazendo composição e não formando coalizão nacional que pudesse fazer reformas necessárias nesse momento em Israel.”

No poder desde 2009, Netanyahu enfrenta um cenário diferente dos pleitos anteriores. O premiê já vinha enfrentado oposição dentro do próprio partido e, em novembro, foi denunciado por corrupção, fraude e quebra de confiança.

Por outro lado, ele capitaliza apoio pela proximidade que tem com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Às vésperas da eleição, o governo Netanyahu aprovou a construção de 1800 unidades habitacionais na Cisjordânia. A medida é vista como um aceno aos eleitores ultranacionalistas, como destaca o professor Manuel Furriela. “Essa sinalização é muito clara, é para disputar o voto de 600 mil colonos.”

Mesmo com o desgaste de Netanyahu, o Azul e Branco, de Benny Gantz, sempre aparece um pouco à frente, mas distante de conseguir o apoio necessário para formar a maioria e governar.

Na tentativa de angariar votos, Gantz, um ex-general militar sem experiência política anterior, tem investido nas críticas ao atual primeiro-ministro.

*Com informações do repórter Afonso Marangoni