Testar todo mundo para o coronavírus é jogar dinheiro fora, diz David Uip

  • Por Jovem Pan
  • 03/03/2020 09h00 - Atualizado em 03/03/2020 09h16
EFE/EPA/SU YANG CHINA OUTDavid disse que a classificação do novo vírus como pandemia poderia ajudar nas medidas de controle

O infectologista David Uip sinalizou que as pessoas não devem correr aos hospitais atrás de exames para testar o novo coronavírus aos primeiros sinais de uma gripe. “O valor de custo do exame específico é R$ 250. Você testar o painel inteiro, 17 vírus e 4 bactérias, custa R$ 1600. Se você ainda não tem tratamento, não adianta a corrida. É jogar dinheiro fora agora.”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, ele ressaltou que políticas públicas são feitas de escolhas. “Não adianta sair fazendo exame para todo mundo porque uma hora você não tem como ou por espaço ou por demanda ou por custo. Um gestor público precisa fazer escolhas financeiras. Você não tem orçamento a mais e precisa lidar com isso. Eu prefiro equipar melhor as UTIs do que fazer exames indiscriminadamente.”

De acordo com o coordenador do comitê de contingenciamento para enfrentar a chegada do coronavírus em São Paulo, a hora de buscar os exames é quando — e se — o vírus passar a circular livremente, o que ainda não é o caso. Segundo ele, o “barulho do coronavírus está maior do que realmente é, mas que a OMS deveria localizar a população”.

David ainda disse que a classificação do novo vírus como pandemia poderia ajudar nas medidas de controle. “De um lado temos um enorme exagero, um pânico da população. Do outro, a OMS precisa dizer do que se trata. Tem que ter politica pública responsável, feita pelo governo federal e pelo Ministério da Saúde. O Brasil está se baseando na OMS, mas fazer politica pública para a Suíça e para um país em desenvolvimento é diferente.”

Uip ressaltou que a transmissão do coronavírus, hoje, é de que um individuo infecta outros três. No caso do sarampo, por exemplo, um paciente transmite para vinte. “A mortalidade, é baixa. Na China está mais ou menos em 3%, fora 1,5%. E, de acordo com que o número de infectados aumenta e de mortos não, essa porcentagem fica cada vez menor.”

Com isso, ele tranquilizou a população. “O Brasil enfrentou a zika, o H1N1, o H3N2. Temos que ter calma e entender esse momento. O número de casos curados é maior do que o de mortos. Acreditem na política pública, acreditem no responsável público. Somos muito experientes e trabalhamos há anos com isso, somos responsáveis.”