Tragédia com avião da Chape: um ano depois, sobreviventes e parentes de vítimas ainda esperam por indenizações

  • Por Jovem Pan
  • 29/11/2017 07h29
EFEAtletas, comissão técnica, jornalistas e tripulantes. Apenas seis sobreviventes. O processo continua e as lembranças permanecem incrustadas no dia a dia dos parentes daqueles que morreram

O mundo lembra neste dia 29 de novembro uma das maiores tragédias do esporte mundial: o acidente com o avião que transportava a delegação da Chapecoense. Um desastre que comoveu o planeta e deflagrou laços de solidariedade.

Na fatídica madrugada de uma terça-feira, 77 pessoas a bordo. Atletas, comissão técnica, jornalistas e tripulantes. Apenas seis sobreviventes. O processo continua e as lembranças permanecem incrustadas no dia a dia dos parentes daqueles que morreram.

O trágico evento completa um ano, mas em que pé está a situação das famílias. As indenizações foram pagas?

A vice-presidente da Associação de familiares e amigos das vítimas do voo da Chapecoense, Mara Paiva, mulher do ex-jogador, treinador e na época comentarista, Mário Sérgio Pontes de Paiva, indicou que nenhum parente aceitou as condições que estão sendo colocadas: “uma proposta de um pagamento de um fundo humanitário, porque estão negando pagamento de apólice de US$ 200 mil dólares por vítima. Mas esse fundo eles nos pedem quitação para a seguradora, para as resseguradoras, Lamia e eventuais proprietários da aeronave. Isso é contrassenso”.

As autoridades aeronáuticas ainda investigam os fatores e condições que propiciaram ao piloto da companhia aérea boliviana Lamia, Miguel Quiroga alçar voo em um cenário de ganancia e irresponsabilidade.

Panorama, que foi explicitado na gravação da conversa com a controladora pouco antes da queda quando anunciava a pane seca.

O desespero também ficou circunscrito no pedido para descida imediata.

As marcas de ferida e lamúria foram atenuadas no dia seguinte ao acidente com a tocante aula de solidariedade que o povo colombiano deu ao planeta ao lotar o estádio Atanásio Giradot, onde seria disputada a final da Copa Sulamericana entre Chapecoense e Atlético Nacional.

A cerimônia com milhares de pessoas com camisas brancas e velas nas mãos comoveu o então ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, que não conteve as lágrimas: “é uma emoção muito grande. Muito obrigado, Colômbia”.

Em meio a tragédia um pequeno garoto, chamado de menino anjo, Alexis Ramires um jovem de apenas 15 anos auxiliou as autoridades na complicada ação de resgate, como lembrou o jornalista colombiano, correspondente da agência Efe, Waldeheim Montoya: “sem esse menino não teria se conseguido resgatar com vida as pessoas que se resgataram”.

Os sobreviventes: dois tripulantes, o jornalista Rafael Henzel e os atletas Neto, Jackson Follman e Alan Ruschel, que em um depoimento emocionado enfatizou que com esta nova chance iria dedicar sua vida aos amigos que partiram.

“Não tenho palavras para explicar o que estou sentindo. É uma mistura de sentimentos. É uma alegria grande por poder estar aqui de novo, sentado aqui, mas ao mesmo tempo no outro por ter perdido muitos amigos. Mas postei foto esses dias falando que seguirei em frente honrando os que hoje foram morar com Deus”.

Mara Paiva apontou que as famílias clamam por justiça, porque a vida dos que morreram no acidente não podem ser mensuradas: “o pai dos meus filhos, avô dos meus netos não volta mais. Meu marido não volta nunca mais. Essa ideia precisa ficar para as pessoas. Essa irresponsabilidade não pode ficar assim”.

A reconstrução está sendo dolorosa, porém tem que ser enfrentada.

O prefeito de Chapecó, Luciano Buligon descreveu em algumas palavras o legado que foi deixado: “a Chapecoense veio aqui com um sonho e saiu como um mito, uma lenda do futebol. A Chapecoense deixa essa marca e a herança de tudo isso é muita garra. De cidade de 210 mil habitantes que fez ascensão dentro do futebol brasileiro e que teve reconhecimento internacional. Muito obrigado, povo colombiano e povo brasileiro”.

*Reportagem de Daniel Lian