Três em cada dez MEIs fecham as portas antes dos cinco anos de atividade, diz Sebrae

Manutenção de novos negócios exige plano a longo prazo; categoria de microempreendedores individuais é a que mais sofre para manter a empresa aberta

  • Por Jovem Pan
  • 22/06/2021 11h35 - Atualizado em 22/06/2021 15h23
Reprodução/Facebook/Sebrae SPEntre os motivos que determinam o fim de um negócio estão falta de capital para sobreviver no início, dificuldade de acesso à crédito e despreparo

Uma pesquisa do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) faz um alerta para quem pretende abrir um negócio. A categoria de microempreendedores individuais é a que mais sofre para manter a empresa aberta nos primeiros cinco anos. A taxa de mortalidade é de 29%, o que equivale dizer praticamente que três em cada 10 MEIs acabam não tendo sucesso. A arquiteta gaúcha Gabrielle Marasciulo decidiu, em plena pandemia, fazer algo paralelo à profissão e empreender. Ela e a mãe abriram uma loja virtual de roupas femininas. Os desafios que encontraram foram maiores do que imaginavam. “A gente está meio em dúvida sobre continuar. Quando a gente abriu a loja, acho que por uns dois meses a gente vendeu um produto. Foi bem pouco. Hoje a gente consegue ver que iniciamos de uma maneira errada. A gente quis que o negócio tivesse tudo e, hoje em dia, querendo ou não, você tem que se tornar referência em alguma coisa. Por exemplo, a gente precisa ser referência em algum produto, algo que a pessoa pense e lembre da nossa loja”, diz Gabrielle.

O estudo do Sebrae foi feito com entrevistas e também cruzando dados da Receita Federal. A pesquisa mostra ainda o impacto da pandemia no perfil dos negócios. 42% dos entrevistados relataram estar desempregados antes de decidir abrir uma empresa. O número de pessoas que empreenderam por oportunidade caiu em comparação com a última pesquisa. Já o número dos que empreenderam por necessidade aumentou, atingindo 30% do total. Entre os motivos que determinam o fim de um negócio estão falta de capital para sobreviver no início, dificuldade de acesso à crédito e despreparo. Wilson Pôite, diretor superintendente do Sebrae-SP, lembra que o órgão está a disposição para orientar quem precisam, até porque ter um planejamento é determinante para o sucesso. “Basicamente é planejamento, disciplina financeira, aprender a vender, seja pelo WhatsApp, seja por qualquer meio digital, entregar em casa e conversar muito com a sua rede de clientes, com fornecedores e até com concorrentes”, oriente Pôite. Durante a pandemia, os atendimentos do Sebrae-SP cresceram. Em 2020 e no inicio de 2021, os agentes têm atendido em média três vezes mais do que em 2019.

*Com informações da repórter Carolina Abelin