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Turquia promete resposta à ‘declaração ultrajante’ de Biden sobre genocídio na Armênia

No sábado, 24, presidente dos EUA reconheceu formalmente como um genocídio os assassinatos em massa do povo no início do século XX

Camila Corsini

A Turquia vai reagir de diversas formas e em diferentes graus nos próximos meses à declaração dada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Foi o que informou neste domingo, 25, Ibrahim Kalin, porta-voz do presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, à agência de notícias Reuters. No sábado, 24, Biden reconheceu formalmente como um genocídio os assassinatos em massa do povo armênio no início do século XX pelas mãos do Império Otomano. O democrata afirmou que a declaração não tem como objetivo apontar culpados, mas para garantir que o que aconteceu nunca se repita. No mesmo dia, a Turquia chamou a declaração do presidente norte-americano de populista e afirmou que oportunismo é a maior traição à paz e à Justiça. Ainda não é possível afirmar quais serão as respostas da Turquia contra os Estados Unidos.

O governo turco não especificou, por exemplo, se vai restringir o acesso dos Estados Unidos à base aérea de Incirlik, usada na luta contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque. O professor de Relações Internacionais e coordenador do núcleo de Oriente Médio da ESPM, Gunther Rudzit, cita outras duas possibilidades. “A Turquia deixar passar de vez os refugiados sírios. Isso afetaria diretamente os europeus e se aproximar bastante do presidente russo, Vladimir Putin, e, portanto, se aproximar cada vez mais a Turquia da Rússia.” Segundo Rudzit, a aproximação do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, da Rússia teria sido um dos motivos que fez com que Biden reconhecesse o genocídio da população armênia. Além disso, há um componente interno.

Uma ala do partido democrata cobrava há anos que presidentes, tanto à esquerda quanto à direita do espectro político, reconhecessem o genocídio da Armênia, como explica o professor de relações internacionais. “Com certeza o governo de Washington fez uma cálculo de que, nesse momento em que a economia turca não está indo bem, e que a economia também está afetando bastante a população,  o presidente Erdogan também não vai poder romper com os Estados Unidos.” Segundo a Armênia e aliados, ao menos 1,5 milhão de pessoas foram assassinadas durante o Império Otomano, a partir de 1915. A Turquia, por sua vez, aceita que muitos armênios que viviam no Império Otomano foram mortos em confrontos com as forças otomanas na Primeira Guerra Mundial. O país nega, no entanto, que as mortes tenham sido sistematicamente orquestradas e constituído um genocídio.

*Com informações da repórter Nicole Fusco