UE projeta queda de 7,5% na economia do bloco em 2020; PIB britânico deve cair 14%

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 07/05/2020 06h55 - Atualizado em 07/05/2020 08h57
PixabayDe maneira geral, os europeus investiram pesado na ajuda à população e foram muito além de um pagamento emergencial mal organizado

A Europa começa a fazer suas contas para projetar o tamanho do estrago causado pelo coronavírus na economia do continente. Mesmo com todas as ações tomadas para proteger empregos e renda, não será possível evitar uma contração histórica.

Pior que isso é o fato de que as projeções anunciadas nesta quinta-feira (7) são baseadas no que se sabe até o momento em relação ao covid-19 — o que infelizmente ainda não é muito.

Mesmo com os países se preparando para acabar com a quarentena aos poucos, nada garante que as contaminações estão definitivamente controladas. Se o pior de fato já tiver passado, como os governos europeus tentam afirmar de forma cautelosa, o impacto será profundo.

A União Europeia projeta queda de 7,5% na economia do bloco ainda neste ano, com contração será um pouco maior para a zona do euro. A recessão será desigual e vai atingir mais os países que já vinham enfrentando dificuldades desde 2008.

A Grécia, por exemplo, deve ter a maior queda entre os europeus com retração na economia da ordem de 9,7%. Espanha e Itália também devem cair na casa dos 9%, segundo as projeções oficiais da comissão europeia.

De maneira geral, os europeus investiram pesado na ajuda à população e foram muito além de um pagamento emergencial mal organizado — e mesmo assim o impacto será catastrófico.

A Comissão Europeia prevê aumento do desemprego em todos os países europeus. As duas piores previsões para este ano são taxas de desemprego de 19,9% para a Grécia e 18,9% para a Espanha.

Esses números são médias anuais, de modo que haveria picos durante o ano significativamente mais altos. Porém, 2021 será um ano de crescimento forte na economia europeia, de acordo com as projeções, mas não o suficiente para recompor as perdas.

Isso significa que o continente só deve voltar aos níveis pré-coronavírus em 2022.

Brexit

No meio dessa confusão toda ainda existe o Brexit — em tese, os dois lados do Canal da Mancha deveriam estar negociando um acordo comercial. Claro que as discussões, que já andavam em tom belicoso, acabaram muito afetadas pela pandemia.

E isso deve trazer ainda mais dificuldades para as economias dos dois lados. O Banco da Inglaterra projeta que o coronavírus vai empurrar o país para a maior recessão de toda a sua história.

Se a quarentena for relaxada pra valer em junho, o órgão acredita que a queda no PIB britânico em 2020 será da ordem de 14%. A taxa básica de juros do país foi mantida em sua mínima histórica de 0,1%.

O comitê de política monetária local cogitou, inclusive, ampliar a última rodada das chamadas medidas de quantitative easing. Resumidamente, a impressão de dinheiro que o Reino Unido vem fazendo desde 2009.

A ideia era elevar de 100 bilhões de libras para 300 bilhões — o que por si só demonstra o tamanho do desafio pela frente. A esperança, no entanto, é de que os impactos permanentes na economia sejam limitados, segundo o Banco da Inglaterra.

É provável que a economia se recupere “muito mais rapidamente do que a retomada pós crise financeira global de 2008”.