Violência no RJ transforma unidades de saúde em hospitais de campanha

  • Por Jovem Pan
  • 11/07/2017 07h53 - Atualizado em 11/07/2017 10h47
De janeiro a junho, o número de pessoas atendidas nos hospitais do Estado com perfurações a bala chegou a 1.248

 

A escalada de violência com tiroteios incessantes no Rio de Janeiro afeta o serviço de saúde do Estado, que não está preparado para receber tantos casos de emergência.

Só neste ano, foram mais de 130 tiroteios. Uma média de 25 por dia na região metropolitana. De janeiro a junho, o número de pessoas atendidas nos hospitais do Estado com perfurações a bala chegou a 1.248.

Com tantas urgências, a rotina nas unidades de saúde mudou. Há quem abandonou o emprego. Na UPA de Cidade de Deus, vários funcionários pediram demissão. Quem fica, tem treinamento especial e sofre com as baixas.

Segundo o Conselho Regional de Medicina do Rio, os médicos estão sobrecarregados. Faltam equipe e estrutura para atender os enfermos, admitiu a diretora do CREMERJ, Marilia de Abreu.

Marilia ainda lamentou a dispensa de mais de 70 médicos do Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha. Por causa do corte na equipe, setores inteiros foram fechados. Uma perda injustificável, na visão da diretora, são os cirurgiões vasculares que atendem às vítimas de bala: “geralmente há lesões dos grandes vasos e é necessária a presença desses colegas”.

Os médicos ainda têm observado uma mudança no perfil das vítimas. Antes, mais homens davam entrada nos PSs. Hoje, a violência não faz distinção, de acordo com a diretora do CREMERJ: “tanto homens quanto crianças”.

Uma operação do Bope na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, deixou pelo menos dois mortos e dez feridos, entre eles uma idosa, nesta segunda-feira.

Segundo a PM, pelo menos quatro suspeitos estão entre os baleados. Ferida por bala perdida, Elydia Roberta de Ramos, de 82 anos, que estava no portão de casa, foi socorrida e encaminhada para o hospital.

*Informações da repórter Carolina Ercolin