Violência também assusta e mata polícias no Brasil

O terceiro episódio da série especial da Jovem Pan mostra como a violência também fragiliza os policiais militares

  • Por Jovem Pan
  • 07/10/2020 07h21 - Atualizado em 07/10/2020 10h22
EFE/ Sebastiao MoreiraPara o ex-corregedor da Polícia Militar paulista, coronel Marcelino Fernandes, o PMs são tão vítimas da violência quanto qualquer cidadão

Enfileirados, colegas de farda colocam a bandeira da Polícia Militar de São Paulo e do Brasil em cima dos caixões dos soldados Celso Ferreira Júnior, Victor Rodrigues Pinto e do sargento José Valdir De Oliveira Júnior. Eles faziam uma ronda na madrugada de 08 de agosto de 2020 quando abordaram um carro com duas pessoas. O motorista se identificou como policial civil, entregou uma falsa identidade e, enquanto os PMs checavam se ele era mesmo policial, o homem sacou a arma e matou os três agentes. Os policiais deixaram as três esposas, grávidas.

O Brasil é o pais onde policiais mais matam e também mais morrem em todo o planeta. Segundo levantamento do Fórum de Segurança Pública, entre 2006 e 2019, quase três mil agentes foram assassinados tanto em serviço quanto na folga. Para o ex-corregedor da Polícia Militar paulista, coronel Marcelino Fernandes, o PMs são tão vítimas da violência quanto qualquer cidadão. “Ai você soma isso ao estresse de estar na ponta da linha. Até o mês passado quatro mil infectados com a Covid-19, policiais dormindo no quartel por medo de contaminar a família. Então tudo isso baixa a resiliência, com o estresse de ter que trabalhar mais para ter um salário digno. Dentro da farda tem um ser humano.”

A impunidade da Justiça brasileira, segundo o coronel, também impacta o trabalho dos policiais.  “Inclusive teve policial demitido da polícia no passado. Hoje ele [policial] é um civil, virou cristão e dá os seus testemunhos dizendo que cansou de prender, levar para delegacia e soltar. Então começou a matar. O sistema não dá conta, o sistema é falho.”

*Com informações do repórter  Leonardo Martins