Vítimas e ativistas destacam esquecimento e abandono após dois anos do desastre de Mariana

  • Por Jovem Pan
  • 24/11/2017 06h39 - Atualizado em 24/11/2017 11h05
José Cruz/Agência BrasilEm 5 de novembro de 2015, 19 pessoas morreram e 1.640 ficaram desabrigadas com o rompimento da barragem

Vítimas e outros envolvidos na recuperação do desastre do rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana, Minas Gerais, demonstram insatisfação e revolta com a demora em ações práticas.

Nesta quinta-feira (23), em audiência das comissões de Direitos Humanos e Minorias e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, na Câmara dos Deputados, em Brasília, Maria do Carmo Silva D’angelo, representante da Comissão dos Atingidos de Mariana, mostrou preocupação com esse esquecimento.

A ativista classificou a situação como revoltante, cheia de humilhação e preconceito: “isso é muito revoltante. Vamos esquecer que 20 pessoas morreram? Uma delas não teve sequer o direito de nascer e vamos esquecer?”.

Roberto Waack, Diretor-Presidente da Fundação Renova, que tem a missão de implantar os programas de reparação nos locais afetados, se disse insatisfeito com o andamento das coisas: “é evidente que dois anos após o rompimento da barragem a indenização precisava estar concluída, o reassentamento previsto para terminar em 2019 é evidente que pessoas ainda não estão morando nas suas casas. Mas o curso do processo é bastante complexo”.

Para Roberto Waack, o ciclo das indenizações e o reassentamento das pessoas é urgente.

Guilherme de Sá Meneghin, promotor de Justiça da Comarca de Mariana, apontou lentidão nos dois anos, com a falta dos direitos assegurados às vítimas.

O promotor destacou que a tragédia de Mariana é o maior crime dos últimos 30 anos do Brasil: “o que nós vemos foi uma renovação diária do desastre, confusão de discursos e violação de direitos humanos jamais vista neste País pelo menos depois da redemocratização. 19 pessoas morreram, mais um abortamento, comunidades inteiras destruídas”.

Em 5 de novembro de 2015, 19 pessoas morreram e 1.640 ficaram desabrigadas com o rompimento da barragem.

O impacto ambiental dos 34 milhões de metros cúbicos de lama contaminada com rejeitos da mineração afetou 39 cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo.

*Informações do repórter Fernando Martins