Woodstock completa 50 anos e ainda movimenta cidade no interior de NY

  • Por Jovem Pan
  • 16/08/2019 08h28 - Atualizado em 16/08/2019 08h32
Henry Diltz / Rhino EntertainmentWoodstock ainda carrega o misticismo hippie mesclado à aura do “paz e amor” e continua sendo procurada por pessoas que buscam fazer a diferença

Foi no dia 15, há exatos 50 anos, que mais de meio milhão de pessoas partiram em busca de paz e amor, regados a muita música no interior do estado de Nova York. A cidade de Woodstock foi encarregada da missão de sediar um festival no auge do movimento hippie. Mas, por entraves burocráticos, acabou não sendo a anfitriã do evento que marcou época.

“Nós gostamos de acreditar que o espírito que deu origem ao festival começou aqui”, diz Richard Heppner, morador de Woodstock, que, na época, tinha 17 anos e hoje é historiador da cidade.

Embora o festival não tenha ocorrido no local, por muito tempo os turistas fizeram peregrinações a Woodstock. Não é para menos: além de carregar o nome do evento, a cidade também é berço “desse tipo de espírito artístico”, nas palavras de Derin Tanyol, diretora de exposições e programas do Woodstock Byrdcliffe Guild. Ela diz que, mesmo não ocorrendo lá, a identidade e o comércio de Woodstock são baseados no festival.

As raízes artísticas em Woodstock são muito anteriores ao festival. Em 1903, a artista americana Jane Byrd McCall Whitehead abriu, com o marido, a colônia de arte Byrdcliffe, ativa até hoje.

Na fazenda de Bethel, onde de fato ocorreu o grande Woodstock, houve tentativas para impedir que as pessoas visitassem o local. O contrário do que ocorreu na época, a notoriedade fez a economia da cidade girar. A reputação começou a atrair nova-iorquinos cada vez mais ricos, buscando ar fresco e inspiração artística. De uns anos pra cá, Bethel mudou de postura: Agora realiza concertos e tenta recuperar o ambiente de Woodstock.

Ao tocar a histórica versão do hino norte-americano naquele 18 de agosto de 1969, encerrando o festival de três dias e algumas horas, Jimi Hendrix talvez não imaginava que Woodstock seria o símbolo da contracultura.

Se há 50 anos o que se tinha de recordação do festival eram apenas os programas, muitos deles jogados fora ao término dos shows, e poucas camisetas da produção, atualmente há souvenir aos montes.

O fluxo constante de dinheiro e turistas em férias no norte do país fazem com que alguns moradores da cidade admitam que o antigo espírito contracultural está “minguando”. Porém, Woodstock ainda carrega o misticismo hippie mesclado à aura do “paz e amor” e continua sendo procurada por pessoas que buscam fazer a diferença no mundo.

*Com informações da repórter Marcela Lourenzetto