Ao falar da Amazônia, Temer tentou amenizar imagem do Brasil, diz secretário do Observatório do Clima

  • Por Jovem Pan
  • 19/09/2017 16h33 - Atualizado em 19/09/2017 16h36
EFE/arquivo/Marcelo Sayão O secretário do Observatório do Clima explicou ainda que é necessário que o governo detalhe informações como o local aonde ocorreu o desmatamento, motivo, como a associação a obras de infraestrutura, expansão agropecuária, por exemplo, para aí sim conseguir uma avaliação concreta

Em discurso de abertura da 72ª assembleia geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Michel Temer afirmou que houve uma redução de mais de 20% do desmatamento da Amazônia. O secretário executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, revelou, em entrevista exclusiva à Jovem Pan, que os números citados pelo peemedebista não foram apresentados, e vê a declaração como uma tentativa de tentar amenizar a imagem do Brasil depois do episódio da reserva Renca, na Amazônia.

“Falta transparência em relação a este número. Se é um dado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que faz o monitoramento do desmatamento na Amazônia, esses números precisam ser apresentados. Há alguma indicação de que a taxa deste ano vai ser menor do que a do ano interior, mas cravar os 20% de redução de desmatamento na taxa anual requer e exige, já que ele levou isso pra comunidade internacional, total transparência. Nós não tivemos acesso a esses números”, contou Rittl.

“A tentativa do presidente Temer foi de mostrar uma imagem diferente daquilo que não é só a concepção da comunidade internacional, daquilo que o brasileiro já se deu conta. Então, a extinção da Renca, dá pra fazer um paralelo com um furacão. (…) Essa mensagem de tranquilidade que o presidente tentou levar aos demais líderes mundiais, é só uma tentativa de mascarar um pouco aquilo que está acontecendo”, completou.

O secretário do Observatório do Clima explicou ainda que é necessário que o governo detalhe informações como o local aonde ocorreu o desmatamento, motivo, como a associação a obras de infraestrutura, expansão agropecuária, por exemplo, para aí sim conseguir uma avaliação concreta.

Confira abaixo a entrevista completa do secretário executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl.