Concentração não colabora com retomada, diz economista

  • Por Jovem Pan
  • 17/04/2018 14h42
Agência Brasil"A forma como está sendo discutido o problema dos juros no Brasil está correta. Não há um voluntarismo por parte do governo de criar maior competição" através dos bancos públicos, avaliou especialista da Austing Rating

Os quatro maiores bancos do País fecharam 2017 com com 78% do mercado de crédito e 76% dos depósitos, informou nesta terça-feira o Banco Central. O lucro dos maiores bancos voltou a crescer.

“Percebemos o problema da concentração como uma questão que não colabora com essa retomada (da economia)”, avalia Luis Miguel Santacreu, da Austing Rating, em entrevista exclusiva ao Jornal Jovem Pan.

O economista ponderou por que os juros continuam altos no Brasil.

“A forma como está sendo discutido o problema dos juros no Brasil está correta. Não há um voluntarismo por parte do governo de criar maior competição. O Banco Central vem escutando os bancos, adotando medidas microeconômicas para reduzir o custo médio do dinheiro. Essa agenda tem que ser continuada e envolver não só o Banco Central, como a Fazenda e o Parlamento”, sugeriu.

Santacreu citou medidas que poderiam ajudar na diminuição das taxas.

“Se não houver por parte dos bancos, depois dessas medidas adotadas, a redução dos juros, isso vai mostrar que no Brasil a concentração é impeditiva para a retomada da economia”, disse.

O economista explicou que em termos de solidez os bancos já estão habilitados a dar crédito, mas o crédito ainda vem muito caro.

Santacreu destacou que medidas estruturais precisam de ser tomadas. “A agenda tem que ser discutida e ampliada para a imprensa, entidades de classe, setor industrial, político, pois é uma questão muito relevante para a economia brasileira”, defendeu.

Ouça a entrevista completa: