Inflação precisa subir um pouco, diz economista

  • Por Jovem Pan
  • 27/03/2018 16h40
Stevepb/PixabayEspecialista pondera que não podemos "perder o controle da inflação" nem "deixar a economia gerando com menos inflação do que ela aguenta"

José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, falou ao Jornal Jovem Pan sobre o cenário da inflação e dos juros divulgado pela ata do Comitê de Política Monetária do Banco Central nesta terça (27).

O economista comentou a demora da repercussão da subsequente queda da taxa básica (Selic) pelo BC. “A transformação desse movimento em crédito mais barato, abundante, está demorando bastante”, disse Gonçalves.

Ele ressaltou que “o mercado bancário no Brasil é muito concentrado comparando com o parâmetro internacional”. O economista entende que há uma lógica de oligopólio para manter o “spread” bancário tão alto.

Sobre a contínua perspectiva de inflação baixa, abaixo do piso da meta há nove meses, Gonçalves destacou os “choques” de alguns setores.

Para tirar a inflação debaixo do piso, é necessário fazer mais cortes nos juros, pondera. “A economia precisa ser estimulada de modo a caminhar a inflação um pouco para cima”, sugeriu, para a inflação ficar entre 3% e 4,5%.

A inflação muito baixa aponta uma demora na retomada do ritmo de atividade econômica. “Recuperação que houve, sem dúvida, mas sem dúvida foi superestimada na virada do ano”, ponderou.

“Enquanto isso não estabilizar e não der sinal de que a inflação parou de cair, pelo menos, acho que o Banco Central vai manter a taxa de juro baixa”, disse. Ele pondera que é uma medida arriscada, porque não podemos “perder o controle da inflação” nem “deixar a economia gerando com menos inflação do que ela aguenta”.

Gonçalves lembrou ainda que essa é uma “passagem inédita”, uma vez que antigamente tínhamos o movimento contrário no Brasil, em que a inércia da atividade econômica estimulava a inflação.