Líder do PSB na Câmara, deputado Júlio Delgado vê reforma ministerial “desorientada”

  • Por Jovem Pan
  • 15/11/2017 16h05
Lucio Bernardo Junior/Câmara dos Dep Lucio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados Delgado disse que não acredita que novas reformas devem acontecer, como a da Previdência, por exemplo. Na visão do parlamentar, não é interesse dos deputados abordar o tão discutido tema, principalmente no atual momento

Michel Temer decidiu colocar como condição a nova distribuição nos ministérios dos seu governo aos votos dados pelos partidos aliados para a reforma da Previdência. O tema é motivo de muita polêmica no Congresso Nacional. O líder do PSB na Câmara dos Deputados, Júlio Delgado (MG), afirmou, em entrevista exclusiva à Jovem Pan, que a reforma ministerial do governo é “um tanto quanto desorientada”. Para ele, mudar agora e alterar novamente após cinco meses deixa clara a confusão da base de Temer.

“Fazer uma reforma em 17 ministérios para ter que alterar novamente em abril demonstra claramente que não há essa sintonia dentro do próprio governo e os interesses daqueles que querem ocupar os espaços que, eventualmente, nesse primeiro momento seriam deixados pelo PSDB. Então há uma desorientação na própria equipe de governo. Eles não sabem o que fazer”, afirmou o deputado.

Delgado disse ainda que não acredita que novas reformas devem acontecer, como a da Previdência, por exemplo. Na visão do parlamentar, não é interesse dos deputados abordar o tão discutido tema, principalmente no atual momento.

“Ela (reforma da Previdência) não tem nenhuma possibilidade de ser votada porque o interesse dos deputados nesse momento, além de votar uma matéria que seja desgastante pra eles em ano eleitoral, é votar o orçamento, que é onde eles teriam comprometidas as ações com relação às duas votações e blindagem do Temer nas denúncias. Então o orçamento, pra eles, é muito mais importante do que propriamente a votação de qualquer tipo de reforma nesse momento”, explicou.

O parlamentar criticou ainda o sistema político brasileiro, o qual chamou de “saturado”. Para ele, é necessário acabar com o presidencialismo de coalisão. “Tem que ser interrompido de uma forma que não haja o comprometimento, como houve nesse ‘reboco eleitoral’ que foi feito nessa ‘mini-reforma’, que acabou saindo quase sem nenhum sentido, que nós acabamos aprovando pra vigorar nas eleições do ano que vem”, finalizou Delgado.

*A entrevista é do repórter Marcelo Mattos