Médicos defendem alternativas contra o câncer, mas sem abandono de tratamento convencional

  • Por Jovem Pan
  • 18/09/2017 15h33 - Atualizado em 19/09/2017 08h35
Profissionais da saúde. Foto: Marcos Santos/USP ImagensDe acordo com o cardiologista, nutrólogo e autor de livros de auto-ajuda, Lair Ribeiro, as céluas cancerosas precisam de glicose para crescer, logo uma dieta cetogênica, onde o paciente corta carboidrato e açúcar na alimentação, obriga o tumor a regredir

Os médicos defendem o uso de terapias alternativas para enfrentar o câncer, como acupuntura, dietas e exercícios, mas sem abandonar os métodos de tratamento convencionais. O tema, que nunca sai completamente de cena, voltou à pauta após a morte do jornalista Marcelo Rezende, neste final de semana. O apresentador havia sido diagnosticado com a doença no pâncreas, em estado avançado, em maio, largou a quimioterapia para adotar uma via alternativa, com base em uma dieta.

De acordo com o cardiologista, nutrólogo e autor de livros de auto-ajuda, Lair Ribeiro, as células cancerosas precisam de glicose para crescer, logo uma dieta cetogênica, onde o paciente corta carboidrato e açúcar na alimentação, obriga o tumor a regredir. Para o oncologista Fernando Maluf, o corpo humano é bem mais complexo.

“Na verdade não existe nenhuma dieta que é zero de açúcar. Se a gente ingerir proteína, se a gente ingerir gordura, o metabolismo, se você não digerir açúcar, será convertido dentro do nosso organismo em carboidrato”, explicou o médico.

Soluções fáceis e milagrosas são fartas nas buscas na internet. Recentemente, uma notícia de que um suposto médico italiano teria encontrado a cura para o câncer com o consumo de bicarbonato de sódio, viralizou nas redes sociais. O fato também não tem qualquer comprovação científica, segundo Maluf.

“Câncer hoje é a doença aonde existe o maior número de pesquisadores do mundo inteiro, dos melhores hospitais do mundo avaliando. Uma simples dieta com pouco açúcar ou rica em bicarbonato, resolve o problema. Quer dizer, o que os outros milhares de investigadores, milhares de hospitais do mundo inteiro estão fazendo? Não faz o menor o sentido”, afirmou o uncologista.

Uma importante ferramenta contra esses argumentos foi publicada em agosto na renomada revista científica Journal of National Cancer Institute. Um estudo na universidade de Yale nos Estados Unidos mostrou que as terapias sem base científica estão ligadas às taxas mais básicas de sobrevivência. Logo, em alguns tumores, o risco de morte dobra entre os que abandonam o tratamento convencional. Em alguns tipos, como o de mama, o risco chega a ser seis vezes maior.

*As informações são da repórter Carolina Ercolin