Migração de deputados para o PMDB gera desconforto com partidos da base aliada

  • Por Jovem Pan
  • 01/09/2017 15h12
BRA100. BRASILIA (BRASIL), 12/04/2017 - Vista general de la Cámara de Diputados vacía hoy, miércoles 12 abril de 2017, en Brasilia (Brasil). Las investigaciones autorizadas por supuesta corrupción contra ocho ministros y decenas de legisladores de 14 partidos abrieron hoy otra fase de la aguda crisis política brasileña y dejaron contra la pared al Gobierno de Michel Temer. Además de ocho ministros y decenas de parlamentarios, en la lista de sospechosos están 12 de los 27 gobernadores del país y los cinco expresidentes brasileños vivos: José Sarney (1985-1990), Fernando Collor de Mello (1990-1992), Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) y Dilma Rousseff (2011-2016). EFE/Joédson AlvesAlém das reformas, o Palácio do Planalto quer se fortalecer no caso de ter de enfrentar uma nova denúncia contra o presidente da República

As lideranças de partidos da base aliada, como DEM e PSB, estão revoltadas com a migração de deputados para o PMDB. A legenda de Michel Temer está negociando com os dissidentes para garantir apoio em votações. Além das reformas, o Palácio do Planalto quer se fortalecer no caso de ter de enfrentar uma nova denúncia contra o presidente da República.

O presidente nacional do PMDB, Romero Jucá (PMDB-RR), revelou que o ministro de Minas e Energia, do PSB, vai trocar de sigla. O pai dele, o senador Fernando Bezerra Coelho, também deve mudar de partido. O líder do DEM na Câmara, Efraim Filho, lamentou a posição dos governistas.

“Esse gesto do senador Romero Jucá, presidente do PMDB, em atravessar a aliança, que estava praticamente formatada em Pernambuco para o crescimento do Democratas ao receber esses novos quadros, foi recebida com muito desconforto na bancada. Gerou um ruído absolutamente desnecessário neste momento delicado. O tratamento que deve ser dispensado a aliados não é esse. Não é a construção de muros, mas sim de pontes. E isso deixará, daqui por diante, a nossa relação extremamente fragilizada”, afirmou.

Efraim Filho (DEM-PB) é do partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que está nitidamente rachado no apoio ao governo. O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), não escondeu o descontentamento com os peemedebistas.

“A gente está tendo, inclusive, um constrangimento de ter que fazer duas orientações para poder blindar estes que estão ocupando espaços importantes dentro do PSB na Câmara e no Senado e que estão trabalhando usando esses cargos para poder negociar a migração para outros partidos. Na verdade, no fundo, tem muita gente no partido, como eu, que torce para que isso aconteça o mais rápido possível. Se eles quiserem levar o desgaste que eles estão tendo com a atuação política deles para outros partidos, que não deixe esse desgaste dentro do PSB nos impor um constrangimento que a gente tem passado ultimamente”, disse o parlamentar.

O deputado Carlos Marun (PMDB-MS) destacou que o partido estará sempre de braços abertos para novos parlamentares. “Existem deputados que estão desconfortáveis nos partidos em que se encontram, especialmente do PSB, aonde alguns acreditam nesse novo Brasil que está sendo preconizado pelo presidente Michel Temer e principalmente em direção do partido. Eu reconheço e outros deputados entendem que não, aonde essa divisão pode, sim, levar alguns deputados a deixarem o partido. E é óbvio que o PMDB está de braços abertos para recebê-los”, contou.

Marun afirmou que o PMDB está recebendo parlamentares de “alto quilate”.

O procurador Rodrigo Janot, de saída do cargo, deverá fazer uma nova denúncia contra Michel Temer que será analisada pelo Congresso.

*As informações são do repórter e apresentador Thiago Uberreich