Não temos uma queda estrutural da inflação, diz economista

  • Por Jovem Pan
  • 10/01/2018 15h40
Stevepb/PixabayVolatilidade dos preços de alimentos devido a condições climáticas torna difícil prever o índice a longo prazo

Apesar do IPCA ter fechado abaixo do piso da meta em 2017, conforme revelou o IBGE nesta quarta (10), o economista Everton Carneiro, da RC Consultores, avalia que os números ainda não mostram uma tendência de inflação baixa a longo prazo no Brasil.

“A minha avaliação é que nós não temos uma queda estrutural da inflação”, disse. Carneiro vê no ano passado um “movimento atípico” da economia que favoreceu a inflação baixa, com três fatores: saída da recessão, desemprego alto e supersafra de alimento.

Ele lembra, no entanto, que dois anos atrás, em 2015, tivemos uma inflação de 10,67%. “Isso é muito volátil”, diz. O economista gostaria de ver números próximos ao centro da meta (4,5%) por alguns anos seguidos.

Carneiro apontou ainda que é difícil fazer uma previsão no começo do ano para a inflação que se sucederá. “O grupo que mais mexe na inflação é o de alimentos e é muito difícil prever o quer vai acontecer com o regime de chuvas daqui até o final do ano”, ponderou.

Sobre a sensação que muitos têm de que os preços aumentaram muito mais do que mostram os números oficiais, Carneiro explica que é necessário desmembrar os vários grupos de produtos que compõem o índice.

Ele destacou a alta em preços monitorados, que são “feitos na canetada” de governantes, como gasolina e energia, e da “alta muito grande” nas áreas de saúde e educação.

Ouça a entrevista completa ao Jornal Jovem Pan: