Ônibus do Rio podem parar por falta de combustível, diz federação do setor

  • Por Estadão Conteúdo
  • 23/05/2018 15h36
Agência BrasilGreve de caminhoneiros entrou no terceiro dia nesta quarta-feira (23)

Se os caminhões de combustível não chegarem às garagens das empresas de ônibus do Rio de Janeiro nas próximas 24 horas, a previsão é de paralisação total do transporte público na sexta-feira (25). Nesta quarta-feira (23), terceiro dia da grave dos caminhoneiros, 40% da frota (de 23 mil veículos) não circulou na região metropolitana do Rio. A previsão para quinta-feira é de que 70% dos ônibus não circulem se os estoques não forem repostos.

“A situação é gravíssima”, afirmou o gerente de Planejamento e Controle da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Rio (Fetranspor), Guilherme Wilson. “Estamos monitorando a situação desde segunda-feira e o problema se intensificou de ontem (terça-feira) pra hoje (quarta); já sabíamos que haveria indisponibilidade de combustível para operar a frota toda hoje ”

As empresas de ônibus abastecem os veículos nas garagens, onde mantêm um estoque de combustível suficiente para, no máximo, três dias de abastecimento total. Na terça-feira, 22, terceiro dia da greve, já começou a faltar diesel. Para tentar driblar o problema, alguns ônibus foram para os postos de gasolina para abastecer. “Mesmo assim, apesar do esforço para manter a operação, só conseguimos botar na rua 60% da frota”, explicou Wilson.

Na quinta-feira, 24, se nada for feito para a reposição dos estoques, os postos de gasolina tampouco terão combustível para abastecer os ônibus – como ocorreu nesta quarta – e a previsão é que o número de ônibus em circulação caia drasticamente. “A previsão para sexta-feira é de paralisação total da frota”, disse Wilson, lembrando que os ônibus respondem por 85% do transporte público na região metropolitana do Rio.

Para abastecer toda a frota são necessários 2 milhões de litros de combustível por dia, o equivalente a cerca de 70 carretas de diesel cheias.

“A gente entende que a greve reivindica uma política mais justa de preço de combustível, um problema que também nos atinge e atinge o usuário do transporte público”, frisou Wilson. “Tivemos um aumento do preço do combustível do ano passado para cá de 40%: isso é fora de qualquer parâmetro relacionado à variação de custo de qualquer setor”.