Diretor da Anvisa: quem vive em área de risco provavelmente já se expôs ao vírus da dengue

  • 30/11/2017 16h06
Elza Fiúza/Agência Brasil"Todos os aspectos de segurança e eficácia devem ser avaliados sempre", diz Jarbas Barbosa

O diretor-presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa, explicou nesta sexta-feira (30) em entrevista ao Jornal Jovem Pan por que o órgão decidiu alertar que a vacina antidengue pode agravar a situação de pessoas que nunca tiveram contato com o vírus.

Única vacina do tipo hoje disponível no Brasil, o medicamento produzido pela Sanofi Pasteur pode aumentar o risco de desenvolvimento da forma grave da doença entre aqueles que nunca contraíram o vírus, apontaram pesquisas.

Barbosa explicou que os dados, no entanto, ainda não são definitivos. Mesmo assim, a bula da vacina deverá incluir o alerta. “A recomendação é de que na bula da vacina tenha uma recomendação clara de que pessoas que nunca se expuseram ao vírus da dengue não devem tomar”, diz o diretor da Anvisa. A vacina ainda não foi incorporada ao programa de vacinação do SUS, mas o governo paranaense distribuiu o medicamento em áreas mais afetadas.

Para cada um dos quatro tipos de sorotipos da dengue houve uma eficácia diferente.

“Ás vezes a pessoa não sabe se ela já teve ou não (contato com o vírus da dengue)”, pondera Barbosa. “Pessoas que vivem em cidades que nunca tiveram transmissão provavelmente nunca foram expostas”. Já os que moroam em locais em que já teve epidemia, provavelmente já se expuseram.

“Quem tinha alguma exposição prévia à dengue tomou a vacina e teve uma proteção maior”, explica.

“Todos os aspectos de segurança e eficácia devem ser avaliados sempre”, entende o diretor da Anvisa.

Entenda

Aprovada no País em 2015, a vacina é indicada para a proteção contra os 4 tipos de vírus da dengue e aplicada em três doses. Na época do lançamento, a informação era a de que proporcionaria eficácia global de 65%. Isso significa que, mesmo após imunização, havia risco de 35% de uma pessoa contrair a doença se exposta ao vírus. O desempenho da vacina, porém, variava conforme o subtipo do vírus.

A vacina está disponível nas clínicas particulares. Ela não é adotada no Programa Nacional de Imunização. O governo do Paraná, porém, comprou por iniciativa própria cerca de 700 mil doses para áreas de maior risco. Dos 399 municípios do Estado, 30 receberam a vacina. Mesmo após o alerta da Anvisa, o Estado vai manter a estratégia – 300 mil foram imunizados entre 2016 e 2017

Os estudos conduzidos pela Sanofi mostram que o aumento de risco se traduz em 5 casos de hospitalização em cada mil pessoas que nunca haviam tido contato com o vírus e foram vacinadas e 2 casos de dengue severa em cada mil vacinados sem contato prévio com o vírus.

A Anvisa diz que, para quem já teve contato com o vírus, “o benefício da vacina permanece favorável”. Antes da obtenção do registro, o imunizante havia sido testado em cerca de 40 mil pessoas. Naquela etapa, não foi achado risco na população em geral.

Com informações de Estadão Conteúdo.