Proposta de reforma da Previdência ‘vai minimizar distorções’ no sistema, afirma especialista

  • Por Jovem Pan
  • 20/02/2019 15h35
Elias Gomes/Jovem PanMárcio Holland é doutor em Economia e professor da Fundação Getúlio Vargas

O ex-secretário de Políticas Econômicas do Ministério da Fazenda e doutor em economia Márcio Holland avaliou positivamente a proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro.

Em entrevista ao Jornal Jovem Pan desta quarta-feira (20), ele afirmou que o projeto é muito parecido com o que a equipe econômica desejava, sem quase nenhuma alteração. “Houve um alinhamento político, o que é muito difícil. A ida do presidente ao Congresso, dando chancela à proposta praticamente como ‘saiu’ da equipe, é importante. Não houve processo de desidratação dentro do próprio governo”, afirma.

Segundo o entrevistado, a reforma “reduz” privilégios “basicamente pelo fato de que 67% dos trabalhadores brasileiros” beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) “já se aposentam com um salário” mínimo. “Essa reforma não é para esse público”, avalia.

Para Holland, que atuou no ministério no primeiro mandato presidente Dilma Rousseff, o foco da proposta previdenciária é um público diferente, que ganha mais de um salário mínimo e tem uma aposentadoria precoce — na faixa dos 50 anos. “É uma reforma que muito provavelmente vai minimar distorções do sistema.”

O especialista ainda avaliou que, com a proposta, a população terá que investir mais em educação financeira. “O brasileiro vai ter que fazer novos planejamentos e pensar no futuro. A gente pensa no ano seguinte, mas precisa pensar na década seguinte. O Brasil está envelhecendo muito rápido.”

Ponto negativo

Entre as partes da proposta que Holland considera negativa, está o aumento do tempo mínimo de contribuição para solicitar aposentadoria abaixo do texto: de 15 para 20 anos. Em sua visão, isso pode causar problemas, principalmente para aqueles trabalhadores rurais que “não conseguem comprovar” tempo de serviço. “Vai ter um número de brasileiros se aposentando mais pobre.”

Entretanto, a expectativa é boa. “O assunto previdenciário não deveria ser tratado como assunto ideológico, de esquerda ou direita, de liberal ou não liberal. É um assunto técnico”, finaliza.