Vale é um ‘mal necessário’ a Brumadinho, diz prefeito

Em entrevista ao Jornal Jovem Pan, o prefeito Avimar de Melo afirmou que a população ‘ainda sente o trauma do acidente’, mas disse que a mineradora pode voltar a operar a seco no município

  • Por Jovem Pan
  • 24/01/2020 15h27
Roberio Fernandes/Estadão ConteúdoBrumadinho, em Minas Gerais

O prefeito de Brumadinho, Avimar de Melo, afirmou nesta sexta-feira (24) em entrevista exclusiva ao Jornal Jovem Pan que a mineradora Vale “é um mal necessário” à cidade.

Neste sábado (25), a enxurrada de lama após o rompimento da barragem da empresa que varreu o município e deixou 34 mortos completa um ano. O prefeito, no entanto, não defende que a Vale deixe de operar por lá. Segundo ele, a mineradora é parte relevante da economia da cidade, já que é a segunda maior geradora de empregos. A primeira é a prefeitura.

“A cidade que arrecadava 13 milhões passou a arrecadar 8 milhões após o rompimento da barragem. A Vale é um mal necessário que nós temos. Queremos que ela opere a seco e não prejudique ninguém”, afirmou Melo. “Algumas pessoas não querem a Vale, outras querem. Mas, operando a seco, onde não tem barragem, a população não vai ser contra.”

De acordo com o prefeito, todas as atividades ribeirinhas ainda estão paralisadas. “Tivemos a contaminação do rio, e vários agricultores daquela região deixaram de trabalhar. A população ainda sente muito o trauma do acidente, mas as coisas vão melhorando a cada dia”, disse.

A Vale, ainda segundo ele, tem pago royalties à prefeitura como forma de compensação da tragédia. “Negociamos com a Vale para pagar dois anos de royalties pra gente, então ela deve pagar até dezembro de 2020, após isso teremos diversos problemas e não sabemos como vamos sobreviver depois de 2020.”

O prefeito ainda revelou que, além dos royalties da Vale, não há mais nenhum outro tipo de recurso financeiro que ajude na recuperação da cidade, além dos próprios recursos. “Estamos restruturando nossa cidade com recursos próprios até o momento. A Vale ajuda na parte de remédios, [apoio aos] funcionários, mas muito pouco. Isso não tem atendido o que a gente necessita. Precisamos de uma ajuda maior da Vale. Ela precisa abrir a mão mesmo para deixar a população, pelo menos, um pouco satisfeita.”