Natalia Pasternak: ‘Quarentena nunca aconteceu no Brasil de forma efetiva’

Microbiologista e fundadora do Instituto Questão de Ciência, Natalia Pasternak foi a entrevistada do Morning Show desta segunda-feira (27)

  • Por Jovem Pan
  • 27/07/2020 11h25
Reprodução/TwitterA bióloga Natalia Pasternak diz que faltou diálogo com a população para entendimento melhor da pandemia

Convidada do Morning Show, da Jovem Pan, desta segunda-feira (27), a doutora em microbiologia pela Universidade de São Paulo (USP) Natalia Pasternak afirmou que a falta de uma quarentena bem implementada deixou o Brasil desfavorável em relação a países como a Alemanha e Nova Zelândia, por exemplo, que já reabrem suas economias com segurança. “A quarentena nunca aconteceu no Brasil de forma efetiva, nem nas grandes metrópoles. O que deixou as pessoas sem trabalho foi o vírus”, disse sobre a crise econômica desencadeada pela pandemia.

Para Natalia, que também é fundadora do Instituto Questão de Ciência, é compreensível a angústia provocada por uma quarentena esticada pela falta de planejamento das autoridades. “Uma quarentena mal feita traz muito mais angústia e se prolonga por um tempo desnecessário que pode trazer mais sofrimento e impacto econômico.”

A bióloga rebateu a acusação de que os cientistas teriam sido alarmistas quanto à gravidade do coronavírus. “Alarmistas são as pessoas, não a ciência. Os fatos que a ciência trouxe são esses que estamos lidando – não é algo desprezível. O que está abalando a economia não é o alarmismo, é o vírus. Seria absurdo pensar que uma pandemia não poderia ter efeitos sociais e econômicos”, pontuou.

Natalia Pasternak ainda falou que a realização de um lockdown não deveria ser cogitada se a comunicação entre poder público e sociedade tivesse sido clara para uma adesão maior da população em ficar em casa. “O que falhamos em fazer foi uma quarentena com colaboração da sociedade com pelo menos 70% de adesão para que a gente conseguisse de fato diminuir a curva de contágio. O que estamos vendo não é uma flexibilização, é um liberou geral – e mostra que as pessoas não estão entendendo ainda a gravidade da situação.”