Linhas de ônibus não mudarão sem prévia discussão, promete secretário

  • Por Jovem Pan
  • 25/04/2018 13h17 - Atualizado em 25/04/2018 13h18
ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOSecretário Mobilidade e Transporte, João Octaviano, durante lançamento nesta segunda (23) de edital de concessão do Terminal Princesa Isabel, na sede da Prefeitura

Em entrevista exclusiva à Jovem Pan nesta quarta-feira (25) o secretário municipal de Transportes de São Paulo, João Octaviano Machado Neto, prometeu que a mudança das linhas de ônibus proposta pela Prefeitura em edital lançado nesta terça (24), que prevê a exclusão de 146 linhas e a redução de 646 veículos, mas uma suposta melhora na eficiência e conforto das viagens, será discutida com cada população local.

A prefeitura deverá repassar às empresas vencedoras R$ 67,5 bilhões nos próximos 20 anos. Até junho a prefeitura deve receber as propostas das companhias privadas interessadas (veja mais detalhes da licitação abaixo, após o vídeo da entrevista).

“Nenhuma alteração será feita sem uma prévia discussão com a comunidade onde essa alteração estiver sendo estudada. Não acontecerá nenhuma alteração sem uma prévia discussão”, afirmou duas vezes Octaviano, destacando que este é um “compromisso da Prefeitura e do prefeito Bruno Covas”.

Assim, afirmou o secretário, a população poderá “entender o processo e fazer as críticas necessárias”.

Lisura

Ao programa Ligado na Cidade, o secretário paulistano prometeu também a lisura do processo licitatório. “Eu garanto em nome da Prefeitura e em nome da prefeitura de Estado que temos com todo o aparato legal que será aplicado”, disse, defendendo a “transparência” do edital.

Octaviano garantiu que será um “processo que atenda todos os trâmites legais, cumpra todo o rito legal”.

“Ônibus vazios”

Ao justificar a necessidade de redução de linhas e reestruturação, Octaviano disse que a população paulistana vê “quase cotidianamente” a cena de “muitos ônibus e muitos com baixa ocupação e a maioria deles fazendo o mesmo percurso” em corredores.

A chamada “sobreposição de linhas”, argumenta a Prefeitura, sobrecarrega os corredores, fazendo a velocidade da viagem diminuir.

Com a mudança, diz Octaviano, “em vez de ter meia dúzia de ônibus vazios ocupando o corredor, eu terei um ônibus com sua capacidade atingida, com conforto, fazendo o mesmo percurso mais rápido”, garante.

“Com as alterações previstas, tanto as faixas exclusivas quanto os corredores de ônibus terão uma velocidade média maior, melhorando a qualidade da viagem”, projeta.

Conforto

Nesta terça, ao lançar o edital, Octaviano já havia dito que o documento prevê a substituição dos coletivos atuais por veículos mais novos, com ar condicionado, wi-fi, tomadas USB e câmeras de vigilância. Também citou que a Prefeitura determinou que os novos coletivos tenham fontes energéticas menos poluentes do que o diesel atual — mas a frota só será 100% limpa daqui a 20 anos.

“Há a expectativa de que esse novo desenho possa contribuir para que o sistema garanta o conforto, a qualidade e, sobretudo, a dignidade dos passageiros”, disse o secretário.

“O sistema funciona”

O secretário não vê muitos motivos para críticas dos usuários dos ônibus em São Paulo.

“As pessoas reclamam, mas o sistema funciona e está transportando cerca de 9,5 milhões de passageiros por dia”, elogiou Octaviano. “O que nós temos que fazer é melhorar”, ressalvou.

O secretário municipal citou “outro aspecto fundamental” da licitação: buscar mais pessoas em locais mais distantes com o sistema local de distribuição.

Octaviano explicou que os ônibus menores atenderão os bairros, onde a topologia, com ruas menores e íngremes, permite sua circulação.

Estes seriam os “veículos que vão buscar as pessoas em pontos mais remotos e vão trazer para um sistema de articulação intra-bairros, que vai conectar os bairros entre si, e vai levar essas pessoas até um ponto em que ela vai pegar um veículo maior que vai fazer uma viagem de melhor qualidade, tanto do ponto de vista do conforto interno quanto do ponto de vista de tempo de viagem”, afirmou Octaviano,

Ouça a entrevista:

Entenda as mudanças propostas pela Prefeitura

A Prefeitura de São Paulo publicou as normas, na manhã desta terça-feira (24), da reestruturação do sistema de ônibus municipais. O projeto prevê redução de 146 linhas de coletivos da cidade e uma diminuição de 646 veículos em operação. Atualmente, são 1.193 linhas e 13.591 coletivos em operação. Por outro lado, segundo o secretário municipal de Mobilidade e Transportes, João Octaviano, os itinerários com trajetos mais curtos vão permitir a adição de 105 mil vagas a mais no sistema, para reduzir a lotação, e trazer mais 952 mil pessoas aos ônibus paulistanos.

A licitação lançada nesta terça, resultado de um processo iniciado ainda em 2015, resultará em contratos que vão somar R$ 67,5 bilhões, mais do que um orçamento anual inteiro da Prefeitura, mas por um prazo de 20 anos. Octaviano afirmou que o valor por ano, pouco mais de R$ 8 bilhões, são os mesmos valores que a cidade gasta hoje com os coletivos, incluindo aí as receitas vindas do pagamento direto da passagem, feito na catraca, da venda de créditos para o bilhete único (em todas as modalidades) e dos subsídios que a Prefeitura gasta com o sistema (em 2018, a previsão é de R$ 2,2 bilhões).

Ao falar da manutenção dos mesmos custos praticados atualmente, Octaviano argumentou também que os empresários de ônibus terão lucro menor do que o atual. “A taxa de retorno deles vai cair de 14% para 9,8%”, afirmou.

A previsão é que os envelopes com as propostas dos empresários interessados sejam abertos entre os dias 11, 12 e 13 de junho. Mas as mudanças no sistema, com o corte e alteração de linhas, só deverá ocorrer 12 meses após a assinatura dos contratos. “Nenhuma mudança de linha será feita sem que a população seja comunicada”, diz o secretário. O processo de mudança, ainda segundo o secretário, só deve ser concluído daqui a quatro anos.

Empresários que já estão na cidade, e possuem garagens para suas frotas, não precisarão adquirir novos espaços. Já algum empreendedor de fora que quiser participar do processo, terá de comprar ele mesmo um terreno para abrigar seus coletivos por meio de uma desapropriação que poderá ser feita pelo poder público. Mas com os custos todos, incluindo a obtenção de licenças ambientais, feitos pelo empresário.

Com informações complementares de Estadão Conteúdo