Lula usava influência em campanhas fora do Brasil para agradar empreiteiros, diz Santana

  • Por Jovem Pan
  • 13/05/2017 09h30
Lula - efe

A delação premiada do marqueteiro João Santana colocou foco sobre a ação efetiva de Lula em campanhas fora do Brasil com o intuito de agradar empresários brasileiros com interesses de expandir os negócios fora daqui.

Responsável pelas campanhas petistas à Presidência da República em 2006, 2010 e 2014, Santana conta que passou a ser indicado pela empreiteira Odebrecht para fazer campanhas em países nos quais a construtora tinha algum tipo de interesse.

Quando o marqueteiro e sua mulher apresentaram alguma resistência a assumir o trabalho, Lula usou sua influência para convencê-los.

Foi o caso da campanha de José Domingos Arias, no Panamá, em 2014: “só que a campanha de Angola, e a do Panamá, como havia relutância da minha parte, porque era complicada, a pressão foi se dando e eles também para pressão de convencimento pediram ajuda do presidente Lula”.

Essa foi a primeira derrota do casal João Santana e Mônica Moura que, antes disso exerceu um importante papel na eleição de candidatos da esquerda na América Latina, uma dupla conhecida por trás das eleições de presidentes do movimento que ficou conhecido como “onda rosa”.

Em 2009, esteve à frente da vitória de Mauricio Funes, em El Salvador. Foi neste contexto, segundo ele, que ouviu, pela primeira vez, uma orientação direta do então presidente Lula sobre pagamentos irregulares.

Com a campanha de Funes enfrentando dificuldades financeiras em El Salvador, o marqueteiro veio ao Brasil pedir socorro à Lula que deu a João Santana a seguinte orientação: “foi o que, surpreendentemente ele me disse: ‘Liga para Emílio Odebrecht. Conhece?’. Eu disse que não e ele disse ‘O Gilberto Carvalho vai ligar pro Emilio dizendo que tudo isso é muito urgente e que você vai procurar ele para tratar de um assunto que me interessa’”, disse.

O marqueteiro negou que tenha tratado com Lula questões envolvendo caixa dois nas campanhas nacionais.

No entanto, ele afirmou que Mônica Moura ouviu, mais de uma vez, referências ao ex-presidente ao tratar de valores de campanhas com Antonio Palocci.

De acordo com João Santana tanto Palocci quanto João Vaccari quando eram tesoureiros de campanhas, diziam ter que consultar o chefe para fechar contratos.

Em outro momento, ele conta que Lula brincou sobre repasses feitos pela empreiteira Odebrecht ao casal.

No depoimento ao Ministério Público Federal, João Santana disse ainda que havia acordo entre os tesoureiros de campanhas políticas oponentes para fraudar os valores que seriam oficialmente declarados.

Uma vez que divulgados números muito diferentes entre uma campanha e outra poderia se chamar a atenção para as fraudes.

*Informações da repórter Helen Braun