Médicos se concentram nas grandes cidades por falta de estrutura no interior

  • Por Jovem Pan
  • 28/12/2015 08h14
médico

 Concentração de médicos especialistas nas regiões sul e sudeste é um dos fatores que dificulta o acesso à saúde no Brasil. Estudo feito pela Faculdade de Medicina da USP mostra que essas duas regiões abrigam mais de 70% de todos os especialistas no país.

Segundo o presidente do Conselho Federal de Medicina, a falta de estrutura no resto do país explica esse problema. Falando a Helen Braun, Carlos Vital Correa Lima destaca que a crise na saúde prejudica a atuação nas especialidades clínicas: “Tem que se criar carreira de estado, porque dentro dessa carreira haverá progressões funcionais. E não podemos esquecer de que não é apenas isso, o salário, há de se ter também condições dignas para o exercício da medicina, condições adequadas para o trabalho, porque se não, os médicos, e muito menos os especialistas, não irão exercer sua profissão”.

Enquanto a região nordeste do país tem 16% de profissionais com pelo menos uma especialidade, a centro-oeste conta com cerca de 9%. Mas é a região norte que vive o pior cenário: são apenas 4% do total de especialistas do país. E, mesmo nas regiões que possuem maior número de profissionais com especialização, a distribuição é desigual.

O presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, Bráulio Luna Filho, explica que existe uma preferência pelas capitais e regiões metropolitanas: “Na rede metropolitana nos temos 65 mil médicos, ou seja, mais que suficiente, e a maioria dos especialistas de São Paulo estão na região metropolitana. Essas pessoas precisam ser motivadas a trabalhar no interior, e elas estão, porque a qualidade de vida no interior promete ser melhor, mas é preciso que o estado crie condições de trabalho e assalarie melhor os médicos”.

A região com maior proporção de especialistas é a Sul, que tem pouco mais de dois profissionais especializados para cada generalista. No país, quase metade dos titulados são de seis especialidades: clínicos, pediatras, cirurgiões gerais, ginecologistas, anestesiologistas e cardiologistas.

A pesquisa revela que, nos últimos 10 anos, muitos médicos abandonaram o SUS e passaram a se dedicar aos próprios consultórios. Mas, atualmente, um em cada quatro médicos já não atende clientes de planos de saúde, devido à baixa remuneração.